Líder do governo Bolsonaro foi “facilitador político” em esquema de compra de vacinas, dizem senadores

·2 minuto de leitura
Líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), em depoimento à CPI da Covid no Senado (Foto: Pedro França/Agência Senado)
Líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), em depoimento à CPI da Covid no Senado (Foto: Pedro França/Agência Senado)
  • Senadores da CPI da Covid apontam que líder do governo Bolsonaro foi “facilitador político” em esquema de compra de vacinas

  • CPI ouve hoje empresário Emanuel Catori, sócio da Belcher, que tentava vender a vacina Convidecia ao Ministério da Saúde

  • Em depoimento à comissão, Catori admitiu que Ricardo Barros marcou reunião para empresa no ministério

O vice-presidente da CPI da Covid no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou, nesta terça-feira (24), que o colegiado tem elementos que indicam o envolvimento do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), em “esquema montado no Ministério da Saúde” para compra de vacinas contra covid-19.

Para o relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), Barros agiu como “facilitador político” nas negociações.

"[Ricardo Barros] é corajoso, é um cabra que mama em onça", afirmou o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), sobre a atuação do deputado no Ministério da Saúde.

Leia também:

A CPI da Covid ouve hoje o depoimento do empresário Emanuel Catori, sócio da Belcher, na tentativa de aprofundar as investigações sobre possíveis irregularidades na negociação de vacinas para o Brasil. A empresa é de Maringá (PR) e tem ligações com o líder do governo.

A Belcher Farmacêutica representava no Brasil o laboratório chinês Cansino e buscava fornecer ao Ministério da Saúde o imunizante Convidecia.

O depoente confirmou que a empresa foi levada ao Ministério da Saúde pelo líder do governo na Câmara. À CPI, Catori relatou que coube a Barros marcar uma reunião no gabinete do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

Além disso, um advogado do parlamentar, Flávio Pansieri, atuou como representante legal da Belcher. Sócio do genro de Barros até março deste ano, o advogado chegou a participar de reunião com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), no dia 30 de abril.

Emanuel Catori, sócio da Belcher, em depoimento à CPI da Covid no Senado (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Emanuel Catori, sócio da Belcher, em depoimento à CPI da Covid no Senado (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Em junho, o governo assinou uma carta de intenção com a Belcher Farmacêutica que previa o pagamento de US$ 17 por dose de vacina - valor mais alto negociado pelo Ministério da Saúde em imunizantes contra a covid-19.

Com suspeitas envolvendo a negociação de vacinas pelo governo de Jair Bolsonaro, os chineses romperam a parceria com a Belcher, em junho. Desde então, os processos de autorização da Convidecia na Anvisa e de compra no Ministério da Saúde estão suspensos.

Ricardo Barros também está envolvido em denúncias envolvendo a aquisição de doses da vacina Covaxin, por meio de contrato com a empresa Precisa Medicamentos, com possível superfaturamento e tráfico de influência na negociação.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos