Líder do governo na Câmara diz que Bolsonaro se aliou ao centrão por 'bom senso'

João de Mari
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FOZ DO IGUACU, BRAZIL - AUGUST 27: Jair Bolsonaro (C), President of Brazil pose with a soccer shirt next to Carlos Roberto Massa Junior (L), governor of Parana and Ricardo Barros (R), federal deputy during the inauguration ceremony of the BR-469 highway development on August 27, 2020 in Foz do Iguacu, Brazil. The BR-469, known as 'Rodovia das Cataratas', is the only link between the Foz do Iguacu City Center, the International Airport and the Iguacu National Park. The development will duplicate the highway that is almost nine kilometers long, and so far there is no information on the work schedule and the expected delivery. (Photo by Kiko Sierich/Getty Images)
Bolsonaro o lado de Carlos Roberto Massa Junior (esquerda), governador do Paraná e Ricardo Barros (direita), deputado federal durante cerimônia de inauguração de rodovia Foz do Iguaçu (Foto: Kiko Sierich/Getty Images)

O deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se aliou ao centrão por uma questão de "bom senso". Segundo entrevista publicada na Folha de S. Paulo, nesta quinta-feira (29), o deputado afirmou que Bolsonaro tentava ter maioria na Casa e governar o país.

"Fora o centro, ele teria a esquerda. Não é o caso de ter que ceder [à aliança]. É apenas bom senso”, avaliou Barros. Ele ainda acredita que o presidente teve de se aliar a quem o criticou no passado justamente para “cumprir o plano de governo”.

Questionado se a aliança entre Bolsonaro e o centrão não vai contra o discurso inicial do presidente, o deputado afirmou que, ao se aliar, o presidente passa a ser centro-direita.

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“Ele poderá neste presidencialismo de coalizão entregar seu programa de governo, pois terá maioria para isso. Ao fazer a coalizão e receber apoio desses partidos de centro, permite que pessoas destes partidos possam colocar em prática o programa partidário nas áreas em que o governo lhes convida para atuar”, disse.

Nova Constituição

Ao jornal Barros também disse que errou ao não consultar o governo sobre uma nova Constituinte e diz que vai preparar o texto com a proposta de plebiscito sobre o tema. Após isso, ele ainda avaliará quando o apresentará a proposta.

Barros defendeu na segunda-feira (26) uma nova Constituição para o país, que traga mais deveres do cidadão e garanta de fato o equilíbrio entre os Poderes da República. Segundo ele, o Brasil deveria fazer um plebiscito, como fez o Chile, para que haja uma nova Constituinte.

A população do Chile votou no último fim de semana pela aprovação de um nova Carta Magna para o país, já que a atual Constituição é de 1980, escrita durante o regime militar de Augusto Pinochet.

No entanto, a Constituição brasileira é de 1988 e fruto da redemocratização do país, após a ditadura militar. Por isso, a declaração do líder do governo causou preocupação entre seus pares.