Líder do PT na Câmara diz que buscará diálogo até com partido de Bolsonaro

Zeca Dirceu também se mostrou contrário a criação de CPI dos atos terroristas, ao menos por enquanto

Líder do PT, Zeca Dirceu defendeu diálogo entre todos os partidos - Foto: Divulgação/PT
Líder do PT, Zeca Dirceu defendeu diálogo entre todos os partidos - Foto: Divulgação/PT

Líder do PT na Câmara dos Deputados a partir de fevereiro, Zeca Dirceu declarou estar aberto a dialogar com a oposição, inclusive com o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.

"Da minha parte, há uma disposição, como a gente já fez após os atos terroristas, de dialogar até com os partidos que são da oposição", declarou em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. "A minha postura é de muita cautela, de muito cuidado e de disposição para dialogar até com quem não gosta da gente."

Filho do ex-ministro José Dirceu, Zeca considerou que evitar "desagregações e divisões" será uma de suas metas nos primeiros meses como líder petista.

Sem CPI dos atos terroristas?

Em nome desse objetivo, o deputado se mostrou disposto a abrir mão de uma medida bastante defendida por membros de seu partido: a instauração de uma CPI para investigar os atos terrorista do último dia 8, em Brasília.

"As providências que estão sendo tomadas pelo Judiciário, Ministério Público, pelos próprios governos, as polícias, o governo federal, elas têm que ser levadas em consideração quando você pensa em criar ou não uma CPI", apontou.

"Se tudo tiver avançando, todo mundo está sendo identificado, todo mundo sendo punido, inclusive os deputados que possivelmente tenham participado, qual vai ser o papel da CPI?", completou o deputado.

Metas para os primeiros meses como líder petista:

  • Evitar temas polêmicos, como pautas de costumes e religião

  • Buscar agregação, diálogo e união

  • Não se distrair com "temas menores"

  • Não incentivar novos bloqueios de rodovias ou acampamentos bolsonaristas

Punição aos envolvidos

A não instauração de uma CPI, no entanto, não significa que Zeca Dirceu defenda o "esquecimento" dos atos violentos vistos nos prédios dos Três Poderes. Pelo contrário, o deputado defendeu que seus colegas que incentivaram a manifestação sejam punidos de forma "dura e justa".

"A gente recebeu aqui denúncias sobre talvez 20, 30 deputados que em tese teriam participado de alguma forma. A gente apresentou denúncia contra apenas quatro, porque para esses apareceu algo consistente, tem vídeo, tem foto, tem testemunho."

Como se organizaram os atos terroristas em Brasília? A linha do tempo interativa abaixo te mostra, clique e explore:

Este conteúdo não está disponível devido às suas preferências de privacidade.
Para vê-los, atualize suas configurações aqui.

Obras de arte foram destruídas, itens roubados e o prejuízo ainda é calculado pelas autoridades. Veja a lista completa de obras destruídas nos ataques. Até o fim da segunda (10), pelo 1.500 envolvidos no episódio já haviam sido presos.