Líder do Talibã diz que grupo voltará a punir com execuções e amputações

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KABUL, AFGHANISTAN - SEPTEMBER 23: Number of people gather to announce their support for Taliban at Deh Sabz District outskirt Kabul, Afghanistan on September 23, 2021. (Photo by Haroon Sabawoon/Anadolu Agency via Getty Images)
Encontro em apoio ao Talibã em Cabul, capital do Afeganistão. Foto: Haroon Sabawoon/Anadolu Agency via Getty Images
  • Esse tipo de violência era comum no primeiro governo do grupo extremista

  • Punições não serão feitas em público dessa vez

  • Líder afirma ser necessário para a segurança do Afeganistão

Em entrevista à agência de notícias Associated Press, o mulá Nooruddin Turabi, um dos fundadores do Talibã, declarou que o grupo extremista voltará a punir pessoas com execuções e amputações. Segundo ele, são medidas “necessárias para a segurança” no Afeganistão.

“Ninguém vai nos dizer quais devem ser nossas leis. Seguiremos o Islã e faremos nossas leis sobre o Corão”, afirmou. Turabi chefiou o departamento de Justiça e a polícia religiosa do Talibã durante o primeiro governo do grupo. Hoje, é responsável pelas prisões em todo o Afeganistão.

No entanto, de acordo com o mulá (clérigo islâmico), as execuções a amputações, diferente do primeiro governo talibã (1996-2001), não serão feitas em público. Naquela época, as pessoas eram punidas em público no estádio esportivo de Cabul.

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O Talibã tomou o poder no país após a saída das tropas norte-americanas. Em um primeiro momento, o grupo tentou passar uma imagem mais moderada e chegou a afirmar que não se vingariam daqueles que trabalharam com os Estados Unidos e respeitariam os direitos das mulheres.

A realidade, no entanto, está sendo bastante diferente. Na última quinta-feira (23), três ONGs divulgaram um relatório que lista abusos contra civis perpetuados pelo Talibã desde agosto. Entre os abusos apontados, está a repressão a mulheres afegãs e a defensores de direitos humanos, represálias contra servidores do antigo governo e cerceamento da liberdade de expressão.

As mulheres tiveram o acesso ao trabalho banido. Autoridades agora aconselham mulheres a ficarem em casa para sua própria segurança, até que seja definida uma interpretação da lei islâmica.

“Os talibãs tentaram persuadir o mundo que eles iriam respeitar os direitos humanos, mas as informações que recebemos de lá mostram uma outra realidade”, afirma o relatório das organizações Anistia Internacional, FIDH (Federação Internacional pelos Direitos Humanos) e OMCT (Organização Mundial Contra a Tortura).

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