Líder Yanomami diz que crianças foram sugadas por draga de garimpeiros em rio

·2 minuto de leitura
Garimpeiros atuam de forma ilegal na região - Foto: Divulgação
Garimpeiros atuam de forma ilegal na região - Foto: Divulgação
  • Dois garotos desapareceram na última terça-feira, quando brincavam no rio Uraricuera

  • O corpo de um deles foi encontrado na quarta, enquanto o outro segue desaparecido

  • Segundo o líder Yanomami, uma draga sugou os dois e os arremessou para o meio do rio

Líder da comunidade Makuxi Yano, na Terra Indígena Yanomami em Roraima, Dario Kopenawa Yanomami afirmou que as duas crianças que desapareceram na última terça-feira (12), no rio Uraricuera, foram sugadas por uma draga que faz a retirada de minério para os garimpeiros.

A declaração de Dario ao jornal O Globo é referente aos garotos que sumiram quando nadavam no rio. Um deles, de apenas 5 anos, foi encontrado sem vida na última quarta-feira (13). O outro, primo dele, de 8 anos, segue desaparecido.

Leia também:

“A draga gigante puxou as crianças, sugou as crianças e elas desapareceram. É uma situação grave, estamos preocupados, muito tristes e revoltados. Para nós, Yanomami e Yekuana, as vidas das crianças são sagradas, pois serão futuros guerreiros”, disse o vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami.

Dario contou que os dois garotos brincavam no rio quando foram “engolidos” pela estrutura e lançados. Eles, então, teriam sido puxados pela correnteza.

Yanomamis protestaram contra os garimpeiros - Foto: Victor Moriyama / ISA
Yanomamis protestaram contra os garimpeiros - Foto: Victor Moriyama / ISA

“As crianças estavam brincando no rio, banhando. Elas já são acostumadas. Não precisam ir acompanhados dos pais, porque desde que quando nascem já aprendem a atravessar e nadar nos rios. Tudo isso faz parte da nossa cultura, isso nunca tinha acontecido.”

O líder Yanomami afirma que uma balsa de garimpeiros, onde está a draga, fica a 300 metros da comunidade e atua de maneira ilegal, sem nenhuma reação das autoridades.

“Um dos mais antigos garimpos da região do Parima e que nunca teve uma operação contra eles, nem Polícia Federal, Exército, Ibama, nunca pisou lá. Os maquinários continuam na ativa”, afirmou.

Continuam as buscas por garoto desaparecido

O Corpo de Bombeiros Militar de Roraima explicou, em nota ao Globo, que enviou mergulhadores na última quarta-feira para buscar o garoto que segue desaparecido. As buscas continuaram nesta quinta (14).

A denúncia sobre o ocorrido foi registrada pelo Conselho de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kuana (Condisi-YY). A Fundação Nacional do Índio (Funai) foi avisada, mas, segundo Dario, não deu retorno aos indígenas.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos