Liderança da Mães em Luto da Zona Leste denuncia abordagens de PMs em sua casa sem motivo

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Câmera de segurança mostra movimentação de policiais em frente à casa de Solange Oliveira, em 2/11/2021 | Foto: reprodução
Câmera de segurança mostra movimentação de policiais em frente à casa de Solange Oliveira, em 2/11/2021 | Foto: reprodução

por Jeniffer Mendonça

A ativista e uma das lideranças do Movimento Mães em Luto da Zona Leste Solange Oliveira conta que mesmo dentro de casa não se sente segura. Pelo menos duas vezes neste ano policiais militares sem identificação tentaram entrar em sua residência. O mais recente, que foi captado por câmera de segurança que ela instalou, aconteceu em 2 de novembro, por volta das 2h35.

“A minha filha estava acordada e viu os policiais abrindo o portão, eu fui lá e eles vieram alegando que alguém tinha pulado para o meu quintal, que um bandido entrou”, relata. “Pediram autorização para entrar e eu não autorizei porque ninguém tinha pulado”. De acordo com ela, eram três viaturas, que haviam sido estacionadas um pouco mais a frente à rua da residência e que são de integrantes do 19º Batalhão da PM, que atua na região da zona leste da capital paulista.

Em seguida, após a ativista ter recusado a entrada dos três, um deles teria perguntado “o que a senhora tem contra a polícia?”. “Eu falei que não tenho nada contra a polícia, que eu tenho contra a algumas atitudes de alguns policiais e eles disseram ‘a senhora está impedindo o nosso trabalho por quê?’ e eu disse que não estava atrapalhando, que eu só não autorizei entrar na minha casa”, lembra Solange. Depois, eles se retiraram do local.

Ela afirma que soube por vizinhos que policiais perguntaram se “ali é onde mora aquela loira?”. Outra abordagem com a mesma alegação, segundo ela, aconteceu em 31 de maio, com três policiais militares, sendo um deles uma mulher, que também pediram para entrar na casa alegando que um “bandido havia pulado o muro”. Com a recusa da incursão, retiraram-se. Em 15 de outubro, relata que o filho de 19 anos foi abordado com um amigo na rua de casa por volta das 22h e liberados às 0h30 sem motivo.

De acordo com ela, pelo menos desde 2018 tem observado viaturas passando e ligando o farolete em direção à sua casa, por isso decidiu instalar câmeras, e acredita que seja um meio de intimidação por conta de sua militância junto às mães que tiveram os filhos mortos pela polícia e denunciam violência policial. “Isso só pode ser por causa da luta, minha família está assustada, me causa preocupação porque cada vez tentam avançar um pouco [contra a casa] e eu tenho medo de fazerem alguma coisa longe do alcance das câmeras”, lamenta.

Ajude a Ponte!

Uma carta de apoio às Mães em Luto da Zona Leste circula nas redes sociais e pode ser assinada aqui. Solange formalizou a denúncia na Ouvidoria das Polícias de São Paulo em 9 de novembro. À Ponte, o ouvidor Elizeu Lopes disse que encaminhou o termo de declarações dela à Corregedoria da Polícia Militar e solicitou abertura de investigação “diante da gravidade dos fatos”, mas ainda não teve retorno sobre o andamento da apuração.

O que diz a polícia

A reportagem questionou a assessorias da Polícia Militar e da Secretaria da Segurança Pública sobre as abordagens e aguarda uma resposta.

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