Indígenas denunciam novos ataques de pistoleiros na Bahia

Indígenas Pataxó da Bahia dizem novamente estarem sendo vítimas de pistoleiros (CARL DE SOUZA/AFP via Getty Images)
Indígenas Pataxó da Bahia dizem novamente estarem sendo vítimas de pistoleiros (CARL DE SOUZA/AFP via Getty Images)

Depois da morte de um adolescente, lideranças indígenas da etnia Pataxó denunciam novos ataques de pistoleiros, na Aldeia Nova, que fica na cidade de Prado, extremo sul da Bahia. Motivado por disputa de terras, o ataque aconteceu entre a noite de terça-feira (6) e a madrugada desta quarta (7).

Zeca Pataxó, uma das lideranças indígenas, disse durante conversa com o portal G1, que nenhum indígena ficou ferido no ataque, porque se esconderam no mato, salientando que caso contrário, teriam sido assassinados.

"Eles invadiram as terras, quebraram as portas e até mataram cachorros. Desta vez, nenhum indígena ficou ferido, porque eles se esconderam no mato. Se as pessoas tivessem ficado em casa, seriam assassinadas. O cacique está escondido. Esses pistoleiros estão a mando de fazendeiros da região, que tentam invadir as terras indígenas, que já são demarcadas antropologicamente", relatou.

Ainda de acordo com a liderança, o novo ataque tem ligação com o assassinato de Gustavo Conceição da Silva, um Pataxó de 14 anos, que foi morto a tiros na madrugada do último domingo (4), na mesma região. O adolescente foi morto em um atentado de pistoleiros e não resistiu aos ferimentos.

Zeca Pataxó, reforça a necessidade da presença da Força Nacional na localidade, para mediar os conflitos entre os indígenas e os fazendeiros da região.

"A polícia até chegou na madrugada [desta quarta], mas fez uma ronda e foi embora. Nós solicitamos de imediato a presença da Força Nacional na região, para apaziguar os conflitos, mas o que vemos é a omissão do governo federal e do governo estadual. Além disso, tem muito policial militar que faz a segurança particular dos fazendeiros", disse a liderança.

Sobre os novos ataques, a Polícia Militar não se manifestou e a Polícia Civil, disse que não há registro do atentado em delegacia.

O Movimento Indígena da Bahia (MIBA), assinou um documento em que pede que o Ministério Público Federal apure e dê providências sobre os ataques às comunidades que vivem em Prado e em Porto Seguro. O documento foi encaminhado ao MPF no dia 5 de setembro.

Na solicitação, o MIBA descreve que há caráter de urgência para o pedido, por causa do clima de tensão e dos conflitos de terra.

Os territórios indígenas de Barra Velha, onde fica a Aldeia Nova, e Comexatibá já são reconhecidos pela Fundação Nacional do Índio (Funai), e aguardam apenas a assinatura do presidente da república na carta declaratória, para homologação dos documentos.

"Já mandamos documentos e fizemos pedidos em todas as instâncias. Nós vamos à Brasília, conversar com o Supremo Tribunal Federal (STF), para ver se há andamento nessa assinatura. Enquanto isso, os indígenas seguem sem segurança para defender seus próprios territórios".