Líderes do governo Bolsonaro pedem fim das manifestações golpistas

Em discurso nesta terça (1º), Bolsonaro reconheceu a derrota, mas não condenou com veemência as manifestações golpistas pelas rodovias do país. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Em discurso nesta terça (1º), Bolsonaro reconheceu a derrota, mas não condenou com veemência as manifestações golpistas pelas rodovias do país. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Os líderes do governo de Jair Bolsonaro (PL) no Senado e na Câmara pediram o fim das manifestações golpistas que bloqueiam diversas rodovias no país ao não aceitarem o resultado das eleições. As declarações de Carlos Portinho (PL-RJ), líder no Senado, e de Ricardo Barros (PP-SP), líder na Câmara, foram publicadas nas redes sociais nesta terça-feira (1º).

O senador Carlos Portinho (PL-RJ) afirmou que “nem toda manifestação popular é democrática” e acredita ser preciso “aprender a ganhar e a perder”.

Portinho ainda lembra aos bolsonaristas que políticos de alinhamento ideológico serão maioria no Senado e na Câmara Federal no próximo mandato, que começa em 2023: “lá defenderemos nossos valores!”, destacou.

“Nem toda manifestação popular é democrática se os seus anseios não o são. Temos sempre que aprender a ganhar e a perder. A alternância de poder também é um alicerce da Democracia. A derrota de hoje será a vitória amanhã. Somos maioria no Congresso e lá defenderemos nossos valores!”, escreveu o senador em seu perfil no Twitter.

Já o deputado Ricardo Barros (PP-SP), líder do Governo na Câmara Federal, pediu que os manifestantes ‘sigam a vida’ e lembrem que haverá eleição presidencial novamente daqui a quatro anos.

“Eu quero fazer um pedido a vocês que estão bloqueando aí a rodovia em Maringá, no posto G10. Vamos avançar. O Brasil segue em frente. O presidente Bolsonaro lidera 58 milhões de brasileiros e fez a maior bancada de deputados e senadores. É uma grande liderança desse país e fez um governo transformador. Vamos em frente. Liberem a rodovia e vamos seguir a vida porque, daqui a quatro anos, teremos eleições de novo”, disse em vídeo publicado nas redes sociais, nesta terça.

A fala de Barros ocorreu após o pronunciamento do próprio Jair Bolsonaro (PL), que só se manifestou sobre a derrota nas urnas e manifestações após mais de 40 horas da divulgação do resultado das eleições.

O presidente em exercício convocou a imprensa para um comunicado que durou pouco mais de dois minutos. Na fala, disse que as mobilizações golpistas são fruto da “indignação e do sentimento de injustiça”, mas criticou o método adotado.

“As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os métodos da esquerda, que sempre prejudicaram a população, como invasão de propriedade, destruição de patrimônio e cerceamento do direito de ir e vir”, disse.

Desde a noite de domingo (30), quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou o resultado das urnas, que deram maioria dos votos a Lula, bolsonaristas começaram a interditar rodovias em diversos estados, em protesto.

Até a tarde desta terça, pelo menos 21 estados teriam registrado bloqueios nas rodovias, segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgadas na imprensa.