Liesa estuda mudar modelo de negócios dos camarotes

Apesar da subvenção recorde de R$ 2,15 milhões da prefeitura do Rio para cada agremiação do Grupo Especial, comercialmente o carnaval da Sapucaí este ano tem derrapado na evolução. Em meio a dificuldades da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) para conseguir patrocinadores — alguns nem abriram rodadas de negociação por causa da proximidade com a Copa do Mundo —, a situação se agravou com a desistência de uma das principais empresas que apoiavam a festa. O investimento do governo do estado também está longe dos R$ 18 milhões em renúncias fiscais de 2022. E, para não repetir apertos parecidos nos desfiles futuros, o diretor de marketing da Liga, Gabriel David, propõe uma mudança no modelo de negócios dos camarotes do Sambódromo.


Ele explica que, hoje, essas áreas VIP captam seus próprios patrocinadores, o que acredita ser um negócio rentável não revertido às escolas e que reduz o espaço da Liesa para atrair apoiadores para a evento como um todo.

— É necessário organizar as marcas que estão no carnaval. Não se pode ter tantas tiqueteiras (vendedoras de ingressos) ou cervejarias no Sambódromo. Atualmente, os camarotes estão terceirizando o espaço. Não é o que ocorre, por exemplo, num Rock in Rio. Precisamos ter mais controle desse processo na Liga — diz Gabriel, que tenta convencer os demais dirigentes da entidade e que pretende envolver prefeitura e Estado no debate.

Juntos, afirma David, os camarotes da Passarela rendem à Liesa R$ 35 milhões. Mas, só em público, sem contar os patrocínios, ele calcula que esses espaços obtêm, por baixo, uma receita bruta de R$ 150 milhões, considerando que recebem 20 mil pessoas por noite de desfile, com um tíquete médio de R$ 1.500 por pessoa.

— Todos sabem que eu também sou sócio de um camarote no Sambódromo. Mas algo tem que mudar — diz David. — A Liesa foi criada para defender os interesses das escolas de samba e temos que garantir isso. É algo que acreditamos que temos que fazer agora para o carnaval de 2024. É importante para o bem das escolas.

Ele ressalva, no entanto, que o brilho do espetáculo está garantido em fevereiro, com verbas como as dos direitos de imagem das agremiações. Com a venda dos ingressos e a injeção de recursos da prefeitura, ele calcula que serão cerca de R$ 60 milhões.

— As escolas têm dinheiro para um grande carnaval em 2023. Frisas e camarotes já foram vendidos. As arquibancadas representam 20% da arrecadação, mas ainda há ingressos. O público é 5% maior do que o ano passado, mas estamos evitando dar números precisos, porque ainda não está totalmente fechado — diz o diretor.