Liga de futebol feminino dos EUA bane quatro técnicos e determina venda de dois clubes após escândalos

A Liga Nacional de Futebol Feminino dos Estados Unidos (NWSL) divulgou uma série de punições após investigação de quase um ano sobre o que foi chamado de um quadro sistêmico de assédio sexual e moral na modalidade. Entre as decisões, está o banimento de quatro treinadores e a venda de dois clubes.

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Os treinadores banidos foram Paul Riley, Christy Holly, Rory Dames e Richie Burke. Nenhum deles poderá voltar a trabalhar na liga. Já Craig Harrington e Alyse LaHue foram suspensos por dois anos. Para voltar a trabalhar na NWSL, terão que atender a uma série de requisitos.

A direção da liga também anunciou multas para os clubes. A mais pesada, de 1,5 milhão de dólares (R$ 7,8 milhões) foi para o Chicago Red Stars, que não colaborou com as investigações que apuravam abusos verbal e emocional de Rory Dames contra as jogadoras. Além disso, foi anunciado que o dono Arnim Whisler está vendendo o clube.

Já o Portland Thorns recebeu multa de 1 milhão de dólares (R$ 5,2 milhões), além de também estar passando por processo de venda. Em 2015, o clube demitiu o técnico Paul Riley por assédio sexual sem divulgar os motivos, o que o permitiu voltar a ser contratado e até aumentar seu prestígio com a conquista dos títulos em 2016, 2018 e 2019. O escândalo foi tornado público apenas em 2021 por meio de reportagem da revista "The Athletic".

Outras tipos de punições também foram divulgadas. O Racing Louisville e o North Carolina Courage terão que contratar equipes esportivas (técnicos e gerentes) completamente diferente das masculinas e autônomas. Ambos receberam multas de, respectivamente, 200 mil dólares (R$ 1 milhão) e 100 mil dólares (R$ 524 mil).

"As penalidades detalhadas são atribuídas de acordo com um sistema de níveis com base em uma combinação de fatores: o grau de gravidade da má conduta que ocorreu, se os indivíduos em posições de poder sabiam ou deveriam saber da má conduta, o grau ou a repetição da má conduta, evidências de conduta retaliatória, a natureza próxima do comportamento ou ação até o presente e ações que falharam em comunicar a má conduta a outras pessoas. O nível da penalidade é reduzido nos casos em que houve fatores atenuantes, como a responsabilidade de outros por contribuir para a má conduta e revelação voluntária, ação corretiva, como aceitação da responsabilidade e esforços de boa fé para mitigar decisões erradas, como remover pessoas em posições de autoridade que falharam em agir", diz trecho da nota emitida pela NWSL.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, a associação de jogadoras da liga comemorou a decisão. A presidente da entidade, Tori Huster, afirmou que uma nova NWSL começava:

"Nenhuma punição será suficiente para desfazer o mal que tantas atletas suportaram. Ao retomar nosso poder, os jogadores conseguiram uma revisão completa e total do ecossistema da NWSL, desde o escritório da liga até a propriedade e a equipe do clube, com novas políticas e sistemas em vigor para proteger a segurança das atletas".