Ligação para Samu relata crise coletiva de ansiedade em escola: 'Incontrolável'

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Alunos de escola no Recife apresentaram crise de ansiedade - Foto: Reprodução/WhatsApp
Alunos de escola no Recife apresentaram crise de ansiedade - Foto: Reprodução/WhatsApp

A chamada feita pela assistente de gestão da Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Ageu Magalhães para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pedindo socorro e relatando crise de ansiedade coletiva, foi divulgada em reportagem feita pelo Fantástico neste domingo (17).

Em um trecho da gravação a mulher relata que a situação estava ‘incontrolável’.

“Eu estou com dez alunos com crise nervosa, crise de ansiedade, não sei como lhe dizer. E assim, tá incontrolável”, diz a mulher.

Ao todo, 26 alunos foram atendidos pelo Samu.

A ligação foi feita na tarde do dia 8 de abril. No mesmo dia, uma mensagem enviada pela diretora do colégio aos pais circulou entre grupos de conversa da escola contando o que aconteceu.

“Quando cheguei de uma reunião, às 14h, a sala dos professores estava com seis estudantes passando mal. Mais alguns no refeitório, outros embaixo da rampa. E o pessoal da gestão, da coordenação, professores, dando esse apoio aos meninos”, disse a diretora no áudio.

No mesmo áudio, ela continuou contando que, quanto mais o tempo passava, a situação ficava pior.

“O tempo ia passando e chegando mais meninos. E aí, chegou um momento que eu disse: gente, não tem condições de a gente continuar. Nós precisamos chamar o Samu”, declarou.

Foi a primeira vez que as equipes do Samu foram chamadas para atender esse tipo de urgência no Recife. Ao todo, 16 profissionais, em seis ambulâncias e duas motocicletas prestaram socorro aos estudantes. A ação durou em média uma hora.

O coordenador geral do Samu Recife, Leonardo Gomes, afirmou que a informação inicial recebida pelo Samu era de que haviam apenas dez pessoas passando mal. Quando chegou lá, a equipe constatou que alguns estavam, de fato, desmaiados.

“Alguns com a pressão muito baixa, o ritmo cardíaco muito acelerado, porém não havia ninguém grave, ou seja, a gente não pode confirmar que se tratava de uma alteração psicológica de fato das crianças, mas naquele momento elas estavam precisando de atendimento médico e assim foi feito”, garantiu Leonardo Gomes.

O Samu ativou o protocolo de atendimento de múltiplas vítimas, por conta da quantidade de adolescentes. Os estudantes tiveram que ser atendidos no local mesmo, mas ninguém precisou ir para um hospital.

“A cena, na verdade, é uma cena como um grande acidente, como quando a gente tem como a queda de um avião, a queda de uma arquibancada, de um edifício, de um desmoronamento. Havia uma cena de atendimento sim de múltiplas vítimas”, detalhou.

A crise coletiva de ansiedade surgiu em período de provas, as primeiras desde o retorno das atividades presenciais na rede estadual em meio à pandemia da Covid-19.

A gerente regional de educação da Secretaria de Educação de Pernambuco, Neuza Pontes, disse que tudo começou com uma estudante.

“Começou com uma situação de uma estudante, de apresentar angústia, ansiedade, medo e que acabou gerando um efeito dominó junto a outros colegas”, observou.

Ela disse que, quando outros alunos foram demonstrando os sintomas, a equipe da escola precisou dar atenção a todos. “Quando a gente fala de equipe, a gente fala da gestão, coordenação, dos próprios professores e então os outros estudantes foram sendo liberados”, disse Neuza Pontes.

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