Lilia Cabral estreia peça com Giulia Bertolli no Rio e diz que público demora a acreditar que são mãe e filha: 'A gente se emociona'

Em casa, são Lilia e Giulia. Mas, no teatro, mãe e filha vivem a professora aposentada Laurita e a jovem Amanda. A peça “A lista”, que marca a primeira vez em que as duas atuam juntas no palco, foi criada no início da pandemia para ajudar profissionais da área teatral durante o isolamento forçado pela Covid-19 e começou sendo exibida em formato on-line e reduzido. Depois do sucesso virtual, foi indicada a prêmios, atraiu mais de 30 mil espectadores presenciais em São Paulo e inicia agora temporada no Rio, a partir de amanhã, na Gávea, com a versão completa do texto.

— Ser no Teatro dos Quatro é ainda mais especial, porque frequentei muito vendo as peças que minha mãe fazia lá e outros espetáculos. Agora o sonho de pisar naquele palco está se tornando real — vibra Giulia Bertolli.

A atriz e roteirista de 25 anos é carioca e mora com a mãe na Zona Sul do Rio, região em que também é ambientada a peça — mãe e filha moram no Jardim Botânico; e o espetáculo se passa em Copacabana. Em cena, Giulia é uma cantora de ópera que ajuda os vizinhos durante a pandemia, incluindo a ranzinza Laurita, vivida por Lilia Cabral, de 65.

— Esse encontro de gerações faz com que as pessoas deem muita gargalhada e, ao mesmo tempo, chorem, porque é discrepante e emocionante — afirma a veterana, que, assim como a filha, está radiante com a estreia perto de casa, principalmente numa data especial: — Estrear no Dia de Reis é muito bom. Começamos o ano com o pé direito. Convidamos amigos achando que muitos estariam viajando, mas agora que confirmaram foi dando um nervoso...(risos).

Em cena, é a troca entre gerações que dá enredo. E o mesmo acontece nos bastidores e na casa das atrizes.

— Sempre fomos muito amigas e conversamos sobre tudo. No palco, independentemente de ser minha mãe, aprendo todos os dias porque é uma atriz que admiro. Não só com ela, mas com toda a equipe — pontua Giulia, que se sente segura ao lado de Lilia: — Estar com ela é especial. Todas as dicas que me deu, conselhos, ensaios foram para somar. Minha mãe me fez ficar confortável no palco, e sinto que isso passa para o público, que vê duas atrizes contracenando. Para mim, a peça foi um divisor de águas.

A mãe coruja não esconde o orgulho:

— Quando estreamos a peça, Giulia já mostrou a que veio. Quando ela disse que queria ser atriz e dei uma força, eu não estava errada. Sabia que a vontade dela era real. Sem se preocupar com o sucesso ou o resultado positivo, mas sim em correr atrás, se arriscar. E isso ela tem feito e dado certo. Não é com a minha ajuda. Se estivesse do lado de qualquer outra atriz da minha geração, estaria observando e tendo o mesmo aprendizado.

Depois que a peça termina, conta Lilia, tem até quem demore a acreditar no parentesco entre as duas:

— Muita gente diz: “Mas é filha dela mesmo?!”. Nos esperam para cumprimentar, tirar foto e acho que para confirmar isso (risos). A cereja do bolo é nossa alegria em cena, que o público percebe. E quando se certificam de que somos mesmo mãe e filha, a gente se emociona, até no palco.

A parceria entre elas não vai parar em “A lista”. A vontade de mais projetos juntas, que já existia antes da peça, com texto de Gustavo Pinheiro e direção de Guilherme Piva, continua.

— Já vimos que dá certo. Da mesma forma que aconteceu dessa vez, com a circunstância juntando a gente, com certeza no futuro podemos trabalhar juntas outra vez — diz Giulia, que quer rodar o Brasil com o espetáculo.