Lilian Ribeiro fala sobre o apoio da filha em seu processo de cura do câncer de mama: ‘Acreditou mais em mim do que eu mesma’

Neste sábado (dia 4), Giovana completa 6 aninhos. E Lilian Ribeiro, de 37, vai celebrar o dia do nascimento da filha junto a seu próprio renascimento: nos últimos oito meses, a jornalista descobriu um câncer de mama; compartilhou a notícia ao vivo com os telespectadores da GloboNews; recebeu centenas de mensagens de apoio e elogios ao prosseguir apresentando os telejornais com lenços coloridos na cabeça, em decorrência da queda de cabelo pelas sessões de quimioterapia; passou por uma cirurgia e mais sessões de radioterapia; e segue em tratamento pela cura total. Em conversa com o EXTRA, ela se emocionou ao relembrar cada etapa vivida até então e ao constatar que a filha foi sua maior motivação para superar os momentos mais difíceis: “Ela me deu muita força, de um jeitinho que ninguém mais poderia fazer. Não me viu como alguém que ia partir. Gigi acreditou mais em mim do que eu mesma”.

Repercussão

“Desde que eu falei sobre o câncer na TV, vi que teve um impacto enorme. Mas a decisão de comunicar foi por mim. Era importante continuar trabalhando e, se eu queria continuar no vídeo depois que o cabelo caísse, precisava explicar para as pessoas por que eu estava diferente. Todos os dias, desde então, eu recebo mensagens de pessoas dizendo que se inspiram em mim, que foi importante pra elas ou pra alguém da família delas. Fico feliz de poder tornar mais leve uma jornada que é muito difícil”.

Diagnóstico

“Quando você está ali com aquele laudo de biópsia na mão, imagina o pior dos cenários. Pra mim foi desesperador. E quando eu digo ‘pra mim’ é porque eu descobri que esse processo é absolutamente diferente para todo mundo. Cada um tem uma história, uma jornada”.

Otimismo

“As pessoas me falam: ‘Como você é otimista, como você é forte!’. Eu não me sinto assim. Tem uma parte da história que eu vivo na minha intimidade. Tem aquela lágrima que só eu vi caindo, nem o meu marido viu. Os primeiros dias foram de absoluto pessimismo. Eu pensava: ‘Vou morrer rápido e sofrer muito até isso acontecer’. Conforme a quimioterapia foi acontecendo, eu continuei trabalhando, fazendo exercícios físicos... E percebi que dava pra viver”.

Medo

“Uma vez, eu abri uma caixinha de perguntas no Instagram e uma pessoa me perguntou: ‘Você tem medo?’. Eu falei: ‘Todo dia. Ele vem, eu bato um papo e o deixo ir embora, sabendo que talvez amanhã ele volte’. Tentei não transformar isso no foco da minha atenção. Quis continuar protagonista da minha própria vida, e não focar na doença”.

Perda familiar

“Perdi uma prima com câncer de mama cinco dias antes de fazer a mamografia que diagnosticou meus nódulos suspeitos. Eu estava com a Tathi na hora em que ela partiu. De alguma maneira, a experiência dela me salvou, porque passei a ser mais atenta com a minha saúde. Ela diagnosticou aos 31 anos e faleceu aos 36. Nossa diferença de idade era de 40 dias, éramos primas-irmãs. A vida da minha família virou de cabeça pra baixo. O luto virou luta muito rapidamente”.

Queda de cabelo

“Eu estava usando uma touca gelada para amenizar a queda de cabelo, mesmo assim fiquei com umas falhas grandes no topo da cabeça e na lateral. Isso me angustiava. Comprei uma peruca, mas não me adaptei. Decidi que era hora de raspar a cabeça. Não coloquei uma música triste pra tocar, e sim um pagode do Sorriso Maroto (‘Marque um lugar’). Nesse mesmo dia, a minha filha pintou as pontinhas do cabelo dela de azul. Pensei: pode ficar leve, já que vamos passar por transformações no visual juntas”.

Lenços coloridos

“Foi uma solução prática que acabou virando uma coisa estética depois, porque as meninas do figurino começaram a aparecer cada dia com um lenço novo pra mim, combinando looks. Fomos vendo novas amarrações, e chegou um momento em que eu me senti realmente bonita de lenço no ar. Isso me fez me sentir inteira”.

Etapas do tratamento

“Foram oito sessões de radioterapia, até 18 de janeiro. Em 24 de fevereiro, operei para retirar o que restava dos nódulos e aproveitei para fazer redução das mamas, que era uma vontade antiga minha. Essa foi a parte boa, saí recauchutada (risos). Como tive uma boa resposta na químio, não foi necessário esvaziar toda a mama, fazer a mastectomia. Em abril, comecei as radioterapias. Foram 25 sessões, praticamente diárias, que chegaram ao fim no dia 11 de maio. Tive poucas reações, mas algumas muito chatas. Eu me sentia mal, como numa ressaca forte, tive dor muscular, sensibilidade na pele e nos olhos. Lacrimejava muito, ainda mais porque perdi todos os cílios. As sobrancelhas resistiram mais tempo. São sintomas relativamente leves dentro do que pode acontecer quando se passa por isso, mas não deixa de ser pesado”.

Amor de filha

“Giovana tem uma visão muito sensível de todo esse meu processo. Ela não me viu como alguém que ia partir. Gigi acreditou mais em mim do que eu mesma. Fico até emocionada em falar isso. Obviamente, ela é uma criança de quase 6 anos, não sabe o que é um câncer. Mas soube que a mamãe tinha um dodói na mama e que ia tomar remédio e ficar mais cansada. Contei pra ela que eu ia raspar o cabelo, depois que ia operar. Tem um livro que ajudou muito a gente nessa história, ‘A careca da mamãe’. Ela viu que outras crianças também passam por isso. E me deu muita força, de um jeitinho que mais ninguém poderia fazer. Graças a Deus, eu tenho a minha filha”.

Espiritualidade

“Eu não me fiz a pergunta ‘Por que eu?’ em nenhum momento. Porque eu creio na soberania de Deus. Sou humana, e só fica doente quem está vivo. A doença me reaproximou dele. Tenho feito o esforço de me lembrar que eu não controlo nada, deixo tudo nas mãos de Deus. Confio muito mais nele do que em mim. Apesar de tudo, não fiquei revoltada com Deus. Estou num processo de entendimento da minha religião. Fui criada na igreja evangélica, minha mãe é pastora. Então, tenho essa crença cristã. Mas tenho refletido sobre outras ideias”.

Cura

“Eu ainda estou em tratamento, num processo de cura. Pra trabalhar a minha ansiedade, penso: hoje eu não tenho evidências de doença no meu corpo. Nos meus exames, está tudo normal. Mas tomo remédios de controle. Tem uma medicação que eu vou tomar por dois anos e outras duas, por pelo menos cinco anos. É um game longo, sabe? São muitas fases. Na fase de hoje, não tem câncer”.

Coragem

“Hoje, eu me conheço mais. E, me entendendo melhor, eu reconheço as batalhas que posso enfrentar e as que não posso. Então, tenho depositado a minha energia no que vale a pena, no que eu posso controlar. Tem outras batalhas que eu simplesmente deixo pra lá. Estou uma lutadora, digamos, mais eficiente. Não necessariamente corajosa”.

Urgências

“Meus projetos mais urgentes são colocar minha filha para a escola, poder estar com ela todo dia. Estou feliz que vou poder cantar mais esse ‘Parabéns’ com ela. E, para o futuro, miro para daqui a alguns meses, quando vou poder voltar a pegar sol e fazer uma viagem. Em outubro ou novembro, acredito que eu vá estar liberada para tomar sol de biquíni. Estou ansiosa por esse momento. Ainda não sei se meu destino será Maceió ou Fernando de Noronha, mas quero ficar esticada no sol. Ainda nem marquei com meu chefe essas minhas férias, ele vai ficar sabendo pelo EXTRA (risos)”.

Conselho

“Um dia, conversando com Zileide Silva (jornalista da TV Globo que contou, em outubro do ano passado, ter descoberto um câncer de mama durante a pandemia), perguntei: ‘Esse mar revolto acalma?’. E ela: ‘Você já sabe a resposta’. As respostas estão sempre na gente. É preciso ter calma, porque, uma hora, vai passar”.

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