Limite de velocidade nas rodovias alemãs pode reduzir mais emissões de CO2 do que se pensava, mostra estudo

Carros passam por uma placa de limite de velocidade de 120 km/h na Autobahn A27, perto da cidade de Bremen, no norte da Alemanha

Por Riham Alkousaa

BERLIM (Reuters) - Um novo estudo concluiu que a Alemanha poderia economizar quase três vezes mais emissões de dióxido de carbono do que se pensava ao introduzir um limite de velocidade em suas rodovias, aumentando a pressão sobre Berlim para reconsiderar a questão politicamente delicada.

Dados da Agência Federal do Meio Ambiente (UBA) da Alemanha, publicados na quinta-feira mostraram que um limite de velocidade de 120 quilômetros por hora nas rodovias da Alemanha, onde atualmente não há restrições de velocidade, pode reduzir as emissões totais de CO2 de carros de passeio e veículos comerciais leves em cerca de 6,7 milhões de toneladas por ano.

Em estudo anterior, com metodologia diferente, a agência esperava que esse limite resultasse em cortes de 2,6 milhões de toneladas de CO2 ao ano.

O Ministério dos Transportes do país disse que o estudo também mostrou que um limite geral de velocidade levaria a uma transferência do tráfego das autoestradas para as estradas secundárias, levando a mais engarrafamentos e mais acidentes nas cidades e nas estradas rurais com mais ruído e poluentes ambientais para seus residentes. .

"O fluxo de tráfego e a segurança nas estradas são comprovadamente maiores nas rodovias", disse um porta-voz do ministério à Reuters, acrescentando que o governo concordou com medidas eficazes para atingir suas metas climáticas, onde um limite geral de velocidade não foi incluído.

Como a Alemanha pretende se tornar neutra em carbono até 2045, os novos resultados aumentam a pressão sobre o Ministério dos Transportes, liderado pelo partido liberal FDP, para acelerar seu programa de corte de CO2 para o setor que tem sido o mais lento em cortar emissões.

Para cumprir a meta de redução do efeito estufa até 2022, as emissões do setor não deveriam ultrapassar 138,7 milhões de toneladas de equivalentes de CO2. A UBA anunciará em março se o setor atingiu essa meta, mas alertou em novembro que não havia indícios de que tivesse conseguido.

(Reportagem de Riham Alkousaa)