Limpeza no Planalto, estátua recuperada no Senado e segurança reforçada no STF: as providências após depredação em Brasília

O Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) amanheceram nesta segunda-feira exibindo a herança dos ataques terroristas promovidos por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro neste domingo. A manhã foi de trabalho duro para servidores encarregados de mapear estragos, recolher móveis atirados para fora dos prédios, remover destroços e limpar pichações das fachadas.

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Aos poucos, porém, a rotina começou a ser retomada nas sedes dos três Poderes que foram alvo das depredações. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de despachar do Planalto, horas após os episódios de violência. Por volta das 9h30, ele se reuniu com a presidente do STF, Rosa Weber, e outros ministros da Corte, Luís Roberto Barroso e Dias Toffoli. Também compareceram o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL); e do Senado em exercício, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), entre outras autoridades.

Enquanto eles conversaram a portas fechadas, funcionários tentavam limpar a sujeira e medir as janelas para a substituição de vidraças quebradas. Poucos servidores puderem entrar no local pela manhã. O acesso foi liberado àqueles convocados para trabalhar.

No térreo do Palácio, era possível ver cacos de vidro, sangue, cadeiras e computadores quebrados. Uma barra de ferro ainda repousava sobre a esquadria de uma janela completamente destruída. Ao lado do espelho d'água que fica em frente à entrada principal havia uma camisa da Seleção rasgada e molhada. A galeria de ex-presidentes, que abriga das fotos de todos ex-chefes de Estado do país, foi completamente destruída. Os terroristas também quebraram um relógio de Dom João VI, do século XVII.

O ministro da Secretaria de Comunicação da presidência, ministro Paulo Pimenta, foi uma das primeiros integrantes do primeiro escalão a visitar o Palácio após o episódio.

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— Tem muito sangue, fazes, urina. Então, é possível fazer a identificação dos criminosos pela coleta desse material orgânico. Tem muito material para a perícia. E tem também a perícia das obras danificadas, dos equipamentos roubados. No decorrer do dia teremos um levantamento mais atualizados — disse o ministro.

O cenário no Congresso também era desolador. No plenário do Senado, onde pelo menos 60 golpistas foram detidos pela Polícia Legislativa ontem, ainda havia incontáveis sinais de depredação e muita sujeira. Os terroristas quebraram as portas de vidro que dão acesso ao local onde ocorrem as votações. Sobre as estações de votação dos senadores os golpistas deixaram para trás bastante lixo e bandeiras do Brasil.

Quando O GLOBO entrou no Plenário, pela manhã, o senador Marcos do Val (Podemos-ES) fazia uma "live" para seus eleitores e descrevia a destruição.

Por volta de 10h50, um funcionário do Museu do Senado recuperou uma pequena estátua que fica exposta na Câmara, a mais de 100 metros de onde foi abandonada. O expediente do Senado começou cedo. Por volta das 7h20, servidores já começavam a chegar para trabalhar, embora parte das dependências da Casa continue interditada por conta dos ataques.

— Estamos juntando os cacos e vendo o que sobrou — resumiu um funcionário responsável pelo acervo de peças históricas da Casa.

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Na Câmara dos Deputados, também invadida e atacada pelos bolsonaristas golpistas, sequer houve expediente de manhã. A entrada da Casa ficou restrita a pessoas previamente convocadas ou autorizadas pela Diretoria-Geral. Grande parte delas está desde as primeiras horas desta segunda-feira recolhendo cacos, literalmente.

Aproximadamente, às 11h, quem passava pelos fundos da Casa encontrava praticamente todos os vidros quebrados, inclusive de gabinetes localizados no térreo do prédio. O gabinete da liderança do PT foi completamente destruído.

Troféu dos terroristas

Tratado como um troféu pelos terroristas que o invadiram, o prédio do STF se assemelhava a um espaço de batalha campal. Eles depredaram o plenário e arrancaram todas as poltronas reservadas aos ministros.

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Os vândalos quebraram a maioria da vidraçaria. Pela manhã, uma viatura de polícia permanecia depredada em frente ao edifício. A icônica estátua Justiça, que retrata a imparcialidade do Poder, foi pichada com a frase "Perdeu, mané", uma referência ao que o ministro Luís Roberto Barroso disse a um simpatizante de Bolsonaro que o abordou nos Estados Unidos.

Dentre os três Poderes, a sede do STF era a que tinha a segurança mais reforçada no dia seguinte aos ataques terroristas. Jornalistas sequer puderam chegar perto da Corte para documentar os estragos. Segundo policiais que isolavam a área, apenas servidores específicos podiam acessar o local. Perto de 12h30, a Polícia Federal ainda periciava as instalações.