Lira chama presidente da Petrobras de 'ilegítimo' e ameaça investigar ganhos de diretores da estatal

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O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), subiu o tom hoje em sua ofensiva contra a Petrobras por causa da recusa da empresa em segurar os preços dos combustíveis. Em um artigo publicado neste domingo, conforme adiantou o colunista do GLOBO Lauro Jardim, ele chamou o atual presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, de “ilegítimo”, embora não mencione que o executivo tenha sido escolhido e indicado para comandar a estatal pelo próprio presidente Jair Bolsonaro.

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A partir da indicação, Coelho foi eleito numa assembleia de acionistas, onde o governo tem a maioria dos votos, para integrar o Conselho de Administração da empresa. Em seguida, ele foi escolhido por este colegiado para presidir a estatal. No conselho, o governo tem atualmente 6 das 11 cadeiras.

No entanto, pouco mais de um mês depois da posse do executivo, Bolsonaro pediu à empresa a sua substituição por Caio Paes de Andrade, auxiliar do ministro Paulo Guedes, mas o processo burocrático ainda está em curso. Enquanto isso, Coelho segue no comando e resiste às pressões do governo e de Lira para renunciar.

Na última sexta-feira, a diretoria liderada por Coelho determinou um novo reajuste nos preços de diesel e gasolina, o que irritou Lira e o presidente Jair Bolsonaro, que teme o impacto da escalada dos preços dos combustíveis em sua popularidade em meio ao início da campanha pela reeleição em posição desfavorável nas pesquisas.

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Em um artigo publicado neste domingo no site da Folha de S. Paulo, o presidente da Câmara ameaça levantar informações sobre ganhos e despesas dos executivos da empresa, a quem acusa de usar uma face estatal quando busca apoio do governo para obter condições diferenciadas, e como “capitalista selvagem” para manter lucros bilionários.

"A Petrobras não pode ser estatal quando lhe convém e privada e selvagem quando diz respeito aos seus lucros astronômicos —sobretudo quando os brasileiros mais vulneráveis mais precisam de apoio. Ou a Petrobras é uma coisa ou outra", diz um trecho do artigo.

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Aliado de Bolsonaro, Lira promete mobilizar diferentes frentes no Congresso contra a estatal e indica que vai centrar fogo nas pessoas físicas do presidente, dos diretores e dos conselheiros da Petrobras. Lira promete acelerar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os reajustes da estatal e sobretaxar lucros da companhia.

Lira continua, dando os contornos do que pretende focar no plano de criar uma CPI sobre a estatal no Congresso, defendida pelo presidente Jair Bolsonaro desde que teve o seu apelo para evitar reajustes nos combustíveis ignorado pela diretoria da estatal.

Coelho vem, sem sucesso, tentando alertar ao governo para o risco de desabastecimento se a estatal praticar preços descasados com os preços internacionais do petróleo. O país precisa importar mais de 20% do que consome de diesel.

No artigo, o presidente da Câmara defende o fim do que chama de complacência com a empresa, que definiu como "uma criança mimada".

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"O primeiro passo que temos de dar é conhecê-la. Quanto gastam seus diretores em suas viagens? Quanto custam suas hospedagens? No exterior ficam onde? Em que carro andam? Quem paga seus almoços e jantares? Alugam carros? Aviões? Helicópteros? Há excessos? De onde vieram? Como constituíram seus patrimônios? Seus parentes: investem onde e são ligados a quem? Depois, temos de entender os critérios de formulação de políticas da empresa. Temos de entender com quem os diretores e os conselheiros conversam. E esses interlocutores: são ligados a que interesses?", escreveu Lira.

eO deputado faz menção a um artigo da Constituição que define a Petrobras como uma empresa de "interesse público" e critica o foco da diretoria na manutenção dos lucros bilionários proporcionados pela atual alta do preço do petróleo no mercado internacional, agravada pela guerra na Ucrânia. No entanto, não menciona que a maior parte dos dividendos pagos pela empresa vão para o caixa do governo.

O deputado faz menção a um artigo da Constituição que define a Petrobras como uma empresa de "interesse público" e critica o foco da diretoria na manutenção dos lucros bilionários proporcionados pela atual alta do preço do petróleo no mercado internacional, agravada pela guerra na Ucrânia. No entanto, não menciona que a maior parte dos dividendos pagos pela empresa vão para o caixa do governo.

"A Petrobras é uma criança mimada, sempre tratada historicamente com excessiva complacência. Ela tem o direito de lucrar astronomicamente? Então a sociedade tem o dever de tributar mais os seus lucros, tratá-la com distanciamento. Não podemos mais conviver com a selvagem petroleira capitalista com a mesma informalidade que tratávamos a estatal: o que antes era questão de Estado agora pode ser até 'conflito de interesses', 'tráfico de influência'', diz outro trecho do artigo.

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