Lira convoca sessão extraordinária para Câmara analisar nesta noite decreto de intervenção no DF

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), convocou uma sessão extraordinária para analisar nesta segunda-feira o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que determinou a intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal após os atos terroristas de domingo. A reunião, semipresencial, está agendada para 20h30.

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Líderes partidários defenderam que o decreto fosse apreciado o quanto antes para dar uma resposta rápida aos ataques ao Congresso, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF). Nos bastidores, há um movimento para que haja o maior número possível de parlamentares no plenário, presencialmente, para passar a mensagem de que Casa está funcionando normalmente, apesar dos danos causados pelas investidas violentas.

— É consenso entre todos nós que, independentemente dos estragos físicos, a nossa presença é importante para demonstrar a legislativo atuante. Isso é mais importante do que aguardar os reparos — disse o vice-líder do PSB, Alessandro Molon (RJ).

Integrante da base do governo se mostram confiantes na aprovação do decreto presidencial, em virtude da má repercussão gerada pelo ataque golpista.

— Na reunião de líderes, ficou clara uma grande tendência da aprovação da intervenção — disse a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Após a votação na Câmara, o decreto será submetido ao Senado. Mais cedo, o presidente da Casa em exercício, senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), afirmou que a votação poderá ocorrer já nesta terça-feira.

Reunião de líderes da Câmara

A reunião de líderes na residência oficial da Câmara reuniu cerca de 30 parlamentares, um quórum maior do que o de costume. Deputados relataram ao GLOBO haver um sentimento de unificação entre os políticos após os episódios de destruição em Brasília. A exceção serão os “bolsonaristas raiz”, que sequer participaram do encontro.

Um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), esteve na casa de Lira, mas não participou da reunião. De acordo com outros parlamentares, ele ficou o tempo todo em uma antessala, esperando o fim da reunião para então falar com Lira. Outra aliada de primeira hora do clã, Bia Kicis (PL-DF) chegou a sentar com os demais deputados na reunião, mas pouco interagiu, segundo congressistas presentes ao encontro.

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O líder do PL na Câmara, partido de Bolsonaro, o deputado Altineu Cortes (RJ), falou aos colegas e condenou os atos terroristas, segundo interlocutores.

Funcionamento da Casa

O líder do PSB, Bira do Pindaré (MA), afirmou que os congressistas discutiram também a possibilidade de a Câmara se manter operante durante o recesso parlamentar, que só termina em fevereiro, a depender dos acontecimentos.

― Manter a Casa em funcionamento durante o recesso é uma ideia bem convergente, mas ainda não é oficial. Minha impressão é que o episódio da invasão e depredação unificou bastante as forças políticas — afirmou.