Lira defende revisão da taxa de juros no Brasil um dia após Copom elevar Selic

DANIELLE BRANT
·3 minuto de leitura
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF,  04.02.2021 - Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 04.02.2021 - Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Um dia após o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central aumentar a taxa básica de juros, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defendeu uma revisão da Selic para que o Brasil tenha uma possibilidade de crescimento mais previsível.

Lira participou na manhã desta quinta-feira (18) de videoconferência com o ministro Gilmar Mendes (Supremo Tribunal Federal). A transmissão foi promovida pela Conjur.

As declarações de Lira ocorrem um dia depois de o Copom decidir elevar a taxa básica em 0,75 ponto percentual, a 2,75%, em resposta a pressões inflacionárias.

O presidente da Câmara defendeu os projetos já aprovados para tentar destravar investimentos no país, como o marco legal do gás, enviado a sanção na madrugada de quarta-feira, e a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Emergencial, que destrava a nova rodada de auxílio emergencial -o governo ainda não enviou, contudo, a medida provisória que detalha critérios para concessão do benefício.

Segundo ele, são propostas que permitem dar uma sinalização forte para a economia e para os mercados. "Nós precisamos de investimento, para que a gente não entre naquela volatilidade também de sermos um país mais devedor do mundo, a maior dívida mundial, com a menor taxa de juros", afirmou. "É incompreensível."

Lira não detalhou qual indicador de dívida tomou como referência. Segundo o monitor fiscal do FMI (Fundo Monetário Internacional), em uma lista referente a 2021, o Brasil tinha uma dívida de 102,76% do PIB (produto interno bruto). Grécia tinha um percentual de 200,53% e o Japão, 263,97%.

"Se você é um banco e você tem um cliente que está querendo lhe pegar um dinheiro, e se aquele cliente lá não está com as contas em ordem, você não vai emprestar dinheiro a juro baixo", afirmou.

"Então o Brasil precisa paulatinamente também rever essa questão aí dos juros, porque esse é um problema que vai sendo conjunto com economia, com saúde, e essas medidas o Congresso tem feito."

Em outro momento da conversa, voltou a afirmar não ter dúvida de que o Brasil "é o país mais endividado do mundo hoje e com essa taxa de juros, que tem que ser revista, ou de mais intensidade ou de menos intensidade, aí o Banco Central vai avaliar, para que a gente possa ter um equilíbrio na correlação de dólar que entra e dólar que sai do Brasil, para que nós tenhamos uma possibilidade de crescimento mais previsível."

A intensidade do aumento de juros pegou boa parte dos economistas de surpresa. A maior parte dos economistas consultados pela Bloomberg esperava elevação de 0,5 ponto -alguns apostavam em uma alta mais gradual, de 0,25.

O comitê justificou que os indicadores recentes de atividade econômica mostram recuperação da economia e que as expectativas de inflação foram revisadas para cima. Segundo o texto, uma alta mais acentuada da taxa de juros reduz a probabilidade de que a meta não seja cumprida este ano.

Foi a primeira alta desde julho de 2015, quando a autoridade monetária decidiu subir os juros em 0,5 ponto, a 14,25% ao ano.

O presidente da Câmara disse ainda que na próxima semana deve ser discutida a admissibilidade da reforma administrativa, que promove mudanças na estrutura do serviço público, e que o relatório da reforma tributária deve ser lido nos próximos dias.

Sobre a medida provisória que abre caminho para a capitalização da Eletrobras, indicou que o texto pode caminhar um pouco mais para a frente, "ser mais arriscada ou ser conservadora". "Mas é a privatização de um sistema importante que tem que ser discutida com muita tranquilidade, mas com firmeza na Casa."