Lira destoa de Pacheco e mantém silêncio sobre ato com pedido golpista

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Mais de 24 horas depois, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), manteve o silêncio sobre a participação do presidente Jair Bolsonaro (PL) em atos de raiz golpista em Brasília e em São Paulo.

O deputado não se pronunciou em redes sociais e também não se manifestou após ser procurado via assessoria de imprensa.

O silêncio destoa do posicionamento adotado pelo presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que, sem citar diretamente Bolsonaro, criticou os atos que tiveram como alvo o STF (Supremo Tribunal Federal).

"Manifestações ilegítimas e antidemocráticas, como as de intervenção militar e fechamento do STF, além de pretenderem ofuscar a essência da data, são anomalias graves que não cabem em tempo algum", disse Pacheco em suas redes sociais.

O silêncio de Lira também contrasta com a manifestação alinhada à de Pacheco na semana passada, quando ambos se uniram em defesa do processo eleitoral brasileiro e rebateram questionamentos à legitimidade das eleições, diante de ataques reiterados de Bolsonaro às urnas eletrônicas.

Os últimos comentários do presidente da Câmara em sua rede social dizem respeito à eleição indireta para governador de Alagoas, em disputa que opõe Lira a adversário político local, o senador Renan Calheiros (MDB-AL).

No domingo (1º), o presidente do STF, Luiz Fux, suspendeu a eleição indireta. No mesmo dia, o ministro Gilmar Mendes deu 48 horas para que o governo alagoano e a Assembleia Legislativa do estado se manifestem sobre a eleição indireta. Ambos defenderam que o ministro autorize a realização do pleito no formato que foi definido pelo Legislativo local.

Em uma rede social, Lira comemorou a decisão do Supremo. "No meio do caminho tinha uma pedra/tinha uma pedra no meio do caminho/tinha uma pedra/no meio do caminho tinha uma pedra. A pedra no caminho de Renan sempre foi e será A LEI!", escreveu.

Dias antes, Lira também havia criticado o senador por dizer que o deputado tentava dar um golpe para impedir as eleições para o governo de Alagoas. "Sobre dar golpes, o senador Renan Calheiros entende bem. Foi assim que ele tentou conduzir o Congresso Nacional e, várias vezes, desrespeitou decisões judiciais", escreveu.

No domingo, Bolsonaro participou de dois atos de ataques ao STF. Em Brasília, não discursou presencialmente. Em live nas redes sociais, no entanto, comentou a presença na manifestação.

"[Vim] cumprimentar o pessoal que está aqui na manifestação pacífica em defesa da Constituição, da democracia, e da liberdade. Então parabéns a todos de Brasília, bem como todos brasileiros que hoje estarão nas ruas", disse.

Na capital federal, o ato ocupou menos de uma quadra da Esplanada, numa proporção muito inferior às manifestações bolsonaristas que tiveram o mesmo palco.

Já em São Paulo, participou do ato de forma virtual. Apareceu ao vivo em vídeo, reproduzido em telão, direto do Palácio da Alvorada, em Brasília.

Ele fez rápido discurso no qual enalteceu seus apoiadores. Falou em liberdade e disse ser o chefe de um governo que acredita em Deus, respeita os militares, defende a família e deve lealdade a seu povo. Ele afirmou que o bem sempre vence o mal e finalizou com o lema: "Deus, pátria e família".

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão (Republicanos), minimizou nesta segunda-feira os ataques ao Supremo e pedidos de cunho golpista feitos por alguns apoiadores de Bolsonaro.

"Liberdade de expressão. Tem gente que quer isso, mas a imensa maioria do povo não quer", disse Mourão à imprensa.

Mourão disse que havia "um pouco mais de gente do lado dos apoiadores do governo" nas manifestações de domingo. "Não houve uma convocação tão grande quanto o 7 de Setembro [de 2021]. E a motivação era outra", disse o vice.

Os atos pró-Bolsonaro foram mobilizados depois de o presidente desafiar o Supremo e conceder perdão de pena ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado pela corte a 8 anos e 9 meses de prisão.

O julgamento de Silveira é mais um caso que opõe o tribunal ao governo Bolsonaro. Bolsonaro ainda promoveu, na semana passada, evento oficial no Palácio do Planalto com ataques à corte e insinuações golpistas contra o sistema eleitoral.

Mourão também criticou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participou, em São Paulo, do ato do 1º de Maio das centrais sindicais. Na avaliação do vice-presidente, o petista "só tem atravessado o samba". Ele se referia ao pedido de desculpas a policiais feito pelo ex-presidente após cometer uma gafe.

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