Lira diz que bancadas não mudarão no 2º turno da PEC dos Precatórios, mostra confiança na aprovação

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Presidente da Câmara, Arthur Lira

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou nesta quinta-feira que não vê a possibilidade de mudanças bruscas nos votos dados pelas bancadas dos partidos no primeiro turno de votação da PEC dos Precatórios e acredita na aprovação da proposta, na segunda e última etapa de votação, na próxima semana com uma vantagem até mais expressiva.

"Não acredito em mudanças partidárias bruscas porque todos os assuntos da PEC eles são claros, são evidentes", disse.

"Nós estamos tratando de auxílio de 400 reais para 20 milhões de famílias que estão abaixo da linha da pobreza, estamos falando de um parcelamento de débitos previdenciários de 60 para 240 meses de municípios que fizeram sua reforma da Previdência, estamos falando de um alargamento dos espaço fiscal do governo para conseguir manter a sua máquina pública funcionando", emendou ele, em entrevista coletiva após reunião de líderes.

Lira disse que a PEC volta ao plenário da Câmara às 9h da próxima terça-feira, começando com análise dos destaques, para a conclusão do primeiro turno, e depois com a segunda rodada de votação.

O presidente da Câmara afirmou que não espera um placar apertado na próxima etapa --no primeiro turno foram 312 votos a favor da PEC, pouco acima do mínimo necessário de 308 votos-- porque na votação encerrada nesta madrugada do primeiro turno houve 456 presentes dentre os 513 deputados. Ele disse esperar uma maior presença de votantes na semana que vem.

"A PEC não vai ser enterrada, não vou falar sobre conjecturas", assegurou ele, após ter sido questionado sobre se haveria um plano B para a proposta, tida como fundamental para viabilizar o substituto do Bolsa Família, o Auxílio Brasil de 400 reais por mês.

ACORDOS

Lira disse não esperar uma alteração na quantidade de votos que as bancadas do PSDB e do PDT, partidos de oposição ao governo, deram nesta quinta à PEC na votação do segundo turno.

Dirigentes e parlamentares trabalham para reverter esses votos, que foram decisivos para a vitória do governo no primeiro turno. Nesta quinta, após a votação, o pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, anunciou a suspensão da candidatura após a postura da bancada de deputados na apreciação da PEC.

Lira, entretanto, minimizou as preocupações e disse que os votos do PDT foram fruto de um acordo da frente do Norte e Nordeste em defesa da educação, que foi avalizado por lideranças do partido.

"O resultado foi absolutamente conseguido na diplomacia das negociações claras e com o objetivo de destravar uma coisa que é urgentíssima, o auxílio, transitório ou temporário", disse ele.

"Não acredito em nenhum tipo de baixas porque os temas têm de ser encarados de frente, com muita tranquilidade e todos nós sabemos as dificuldades", reforçou.

Para o presidente da Câmara, "se Deus quiser", a votação na terça terá mais presentes e mais votos a favor da matéria.

O PDT deu 14 votos a favor da PEC, dentre os 25 da bancada, enquanto o PSDB garantiu 22 dos 31 votos a favor da proposta.

FURA TETO

Na entrevista, Lira reconheceu que não há alternativa do que furar o teto para viabilizar o programa social e lembrou que preferiria que um benefício de 300 reais pago dentro do teto, caso o Senado tivesse avançado com a proposta de taxação dos dividendos, incluída no imposto de renda.

O deputado também minimizou as oscilações do mercado, destacando que ele quer previsibilidade e direção.

"Não há alternativa que não seja furar o teto", disse. "O mercado, como um ser bastante móvel e volátil e respeitoso, ele se movimenta de previsibilidades e nós dissemos o caminho que vai ser feito, é o caminho que vai ser trabalhado, conseguir os votos e seguir com a vida pelos caminhos que são possíveis", acrescentou.

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