Lira rebate oposição e diz que 100% dos pedidos de impeachment de Bolsonaro são inúteis

DANIELLE BRANT
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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  08-04-2021 - O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 08-04-2021 - O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), rebateu críticas da oposição na noite desta terça-feira (27) e afirmou que 100% dos pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) protocolados na Casa são inúteis para o que foram apresentados ou para o que solicitaram.

A declaração foi dada após a votação de uma medida provisória que autorizou a renegociação de dívidas de empresas com os fundos de investimento do Nordeste e da Amazônia.

Lira respondeu ao deputado Henrique Fontana (PT-RS), que havia cobrado que o presidente da Câmara abrisse processo de impeachment contra Bolsonaro. Na segunda-feira (26), o líder do centrão disse que "90%, 95% dos [pedidos de impeachment] que eu já vi não tem absolutamente nenhuma razão de ter sido apresentado, a não ser um fato político que queira se gerar."

Nesta terça, Fontana criticou a declaração. "Eu não posso concordar com o que disse o presidente Arthur Lira de que 95% dos pedidos de impeachment não têm consistência nenhuma", disse.

"Eu vejo muita consistência em diversos pedidos, mas mais do que isso eu quero ter o direito democrático de poder analisar esses pedidos, numa comissão processante, com debates, busca de dados, que é o papel do Parlamento."

Lira se irritou com a fala do deputado e defendeu que não cabe à Câmara causar instabilidade neste momento por conveniência política de A ou de B.

"O tempo é o da Constituição, na conveniência e na oportunidade. Os pedidos de impeachment, em 100%, não 95%, em 100% dos que já analisei são inúteis para o que entraram e para o que solicitaram", afirmou.

Antes, Lira havia acusado o petista de não fazer a mesma cobrança quando a Câmara era conduzida pelo ex-presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ). "Então eu estou há dois meses, deputado Fontana, e pediria à Vossa Excelência um pouco mais de tranquilidade, um pouco mais de paciência", disse.

Fontana tentou interrompê-lo para afirmar que havia cobrado Maia da abertura de um processo, ao que Lira respondeu: "Eu ouvi Vossa Excelência calado e espero que Vossa Excelência também me ouça calado."

Na presidência da Câmara dos Deputados há menos de três meses, Lira já recebeu 50 novos pedidos de impeachment contra Bolsonaro --ou uma peça a cada um dia e meio, aproximadamente. Houve um expressivo ganho de ritmo em comparação com a gestão de Maia, que tinha uma média de uma ação nova a cada 11 dias --foram 66 ao todo.

O crescimento neste ano ocorreu em meio ao desgaste acentuado de Bolsonaro diante do auge da pandemia da Covid-19 --além da maior crise militar desde 1977, com a troca da cúpula das Forças Armadas.

O atual presidente da Câmara já sinalizou em diversas ocasiões que não pretende dar encaminhamento aos 116 pedidos que se avolumam. Mais de uma vez, usou o fato de Maia não ter dado andamento às ações como justificativa para manter os processos intocados.

Ele também indicou que, com a pandemia, não há clima para abrir um processo de impeachment contra Bolsonaro --o mesmo argumento que usa para desencorajar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara.