Lira repudia assassinato de petista, e CNBB fala em insanidade

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), divulgou nesta segunda-feira (11) nota em que repudia qualquer ato de violência, sobretudo motivado por manifestações políticas, e na qual defende paz para que todos possam fazer suas escolhas nas eleições.

Lira foi uma das últimas autoridades a se manifestar sobre a morte do petista Marcelo de Arruda na noite de sábado (9), em Foz do Iguaçu (PR), pelo policial penal bolsonarista Jorge José da Rocha Guaranho.

Na nota, ele não menciona diretamente o ataque que resultou na morte de Arruda, como fez o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MD), e mesmo o presidente Jair Bolsonaro (PL), que disse que dispensa o "apoio de quem pratica violência contra opositores" —apesar de ter atacado a esquerda na mesma manifestação.

"A Câmara dos Deputados repudia qualquer ato de violência, ainda mais decorrente de manifestações políticas", diz a nota divulgada por Lira. "A democracia pressupõe o amplo debate de ideias e a garantia da defesa de posições partidárias, com tolerância e respeito à liberdade de expressão."

"A campanha eleitoral está apenas começando. Conclamo a todos pela paz para fazer nossas escolhas políticas e votar nos projetos que acreditamos. Esta é a premissa de uma democracia plena e sólida, como a nossa", concluiu.

IGREJA CATÓLICA

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) também se manifestou nesta segunda-feira, por meio de seu presidente, dom Walmor Oliveira de Azevedo.

Comunicado da entidade diz que "a insanidade que transforma uma festa de aniversário, momento de alegria e fraternidade, em cenário de violência e morte não deve ser a referência para o exercício da cidadania no Brasil".

"Para que o país se torne mais justo, solidário e fraterno, todos precisam se unir a partir do compromisso com a paz. Não importa qual seja a convicção política, o partido, as diferenças."

A conferência também relembrou mensagem divulgada em junho, na qual criticava a facilidade para se obter armas no país, uma das bandeiras do presidente Bolsonaro. "Urge não fechar os olhos diante da loucura da corrida armamentista no Brasil", dizia o texto.

O guarda civil Marcelo de Arruda, de acordo com testemunhas, comemorava seu aniversário quando Jorge Guaranho passou de carro e gritou: "Aqui é Bolsonaro". Houve discussão, e o policial penal disse que voltaria. Diante disso, o petista foi ao carro e pegou sua arma, também de acordo com os relatos.

Pouco tempo depois, o bolsonarista retornou. Um vídeo mostra o momento em que ele invade o local, e atira contra Arruda, que também dispara.

Guaranho, que está internado após também ser baleado por Arruda, se define como conservador e cristão. Ele usa as redes sociais principalmente para defender o presidente Bolsonaro, se diz contra o aborto e as drogas e considera arma sinônimo de defesa.

Em junho de 2021, ele apareceu sorrindo em uma foto ao lado do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do mandatário. "Vamos fortalecer a direita", escreveu em 30 de abril numa corrente da "#DireitaForte" para impulsionar perfis de conservadores com poucos seguidores.

No domingo, políticos de diferentes partidos, autoridades e figuras públicas repudiaram o crime.

Os pré-candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) foram às redes neste domingo (10) para lamentar o ocorrido, assim como o provável vice de Lula, Geraldo Alckmin (PSB), deputados, senadores e presidentes de partidos.

Entre apoiadores do presidente, geralmente ativos nas redes, o silêncio sobre o caso tem sido predominante. Os filhos do presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é senador, Eduardo Bolsonaro, e Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), vereador no Rio de Janeiro, fizeram publicações relacionadas a outros temas, como a candidatura do pai ou críticas a Lula e ao PT.

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