Lira sai da omissão para a cumplicidade e Bolsonaro sequestra o bicentenário

A presença do presidente da Câmara, Arthur Lira, na convenção do PL, diz muito. Na semana passada, todos cobraram um pronunciamento de Lira sobre a fala do presidente naquela reunião dos embaixadores em que ele atacou as instituições do país, ameaçou a não realização de eleições e divulgou mentiras sobre o sistema eleitoral brasileiro. Houve reação imediata de 60 instituições, embaixadores, governo americano, associação de funcionários públicos em defesa das urnas eletrônicas.

Convenção: Bolsonaro chama Lira de 'amigo de longa data' e 'dono da pauta' após presidente da Câmara receber vaias em convenção

Lira ficou em silêncio. Mas ontem ao ir ao lançamento da candidatura e ser tão elogiado pelo presidente Jair Bolsonaro, na verdade, ele acaba se comunicando. A comunicação que ele passa é que concorda com o presidente, que ele concorda com todos aqueles ataques à democracia. Deixa a condição de omisso para a condição de cúmplice. Passa a ser cúmplice de Jair Bolsonaro e de todos os ataques que fez ao sistema democrático brasileiro.

Outro ponto de atenção neste evento de ontem foi a convocação do presidente para que seus seguidores irem às ruas no dia 7 de setembro. O dia 7 de setembro é um dia de todos os brasileiros. Não é de um partido.

E este ano a data é especial porque completam-se 200 anos de independência do Brasil, motivo para uma festa realmente nacional, que unisse a nação com nossos valores. Mas em um comportamento completamente anômalo, ele chama os seus seguidores à rua para, de novo, confrontar as instituições. Bolsonaro mostra mais uma vez sua incapacidade de se comportar como presidente da República. Sequestrou os símbolos nacionais, como a nossa bandeira. Agora sequestra o bicentenário.

No seu discurso, Bolsonaro fez novo ataque ao STF. Desta vez de forma mais sutil do que na reunião com embaixadores, mas foi efetivo ao afirmar "só o meu governo revelou o que é o STF". Em seguida, chamou de "surdos da capa preta", se referindo aos ministros do Supremo. Ele continua com seus ataques às instituições brasileiras, com a cumplicidade do presidente da Câmara, e sequestra o 7 de setembro como se fosse do bolsonarismo e não de todos os brasileiros.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos