May pretende manter "relação especial" com UE em economia e segurança

Londres, 29 mar (EFE).- A primeira-ministra britânica, Theresa May, afirma na carta que enviou nesta quarta-feira ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que espera manter uma "relação especial" com o bloco comum em economia e segurança.

"O Reino Unido quer acordar uma relação especial e profunda com uma União Europeia sólida", diz a carta, que ressalta que "é necessário estabelecer os termos da futura relação ao mesmo tempo que os da separação da União Europeia".

Na carta, entregue pelo embaixador britânico na UE, Tim Barrow, May anuncia a intenção do Reino Unido de deixar a União Europeia e a Comunidade Europeia da Energia Atômica.

"O governo quer iniciar estas negociações com ambição, dando aos cidadãos e empresas do Reino Unido e da União Europeia - e, sem dúvida, de outros países no mundo todo - tanta certeza quanto possível, o mais breve possível", afirma a primeira-ministra.

May reitera na carta que o Reino Unido não pretende continuar sendo um membro do mercado único, pois "compreende e respeita" que a UE exigiria nesse caso manter a livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais.

"Devemos lembrar que no centro destas negociações estão os interesses de todos os nossos cidadãos", ressaltou a primeira-ministra.

May reiterou que espera chegar a um acordo "em breve" sobre os direitos dos comunitários que vivem no Reino Unido e os britânicos no resto do continente, enquanto transmite a Bruxelas sua intenção de "trabalhar unidos" para "minimizar as dificuldades" em ambos os lados do canal da Mancha.

O Reino Unido tem como prioridade estabelecer um "amplo acordo em segurança" com os 27 membros do bloco após sua saída, assim como criar um entorno favorável para construir uma nova relação comercial com a UE.

"Entendemos que haverá consequências para o Reino Unido ao deixar a União Europeia: sabemos que perderemos influência sobre as normas que regulam a economia", admite May.

"Também sabemos que as companhias britânicas, para comercializar dentro da UE, terão que se alinhar com as normas estipuladas por instituições das quais já não fazem parte, tal como acontece em outros mercados internacionais", acrescenta.

Londres também manifestou seu interesse em estabelecer um período de transição para evitar que uma ruptura abrupta das relações que represente um "precipício" para as empresas e os indivíduos.

"As pessoas e as empresas de ambos os lados, no Reino Unido e a União Europeia, se beneficiariam de um período de implementação que permita um ajuste suave e ordenado às novas disposições", indica a primeira-ministra.

O artigo 50 do Tratado de Lisboa, o mecanismo ativado hoje por May para iniciar o desligamento do Reino Unido do bloco comunitário, prevê que as negociações de dois anos terão foco nas condições da separação.

A britânica, no entanto, insiste em sua carta na necessidade de definir ao mesmo tempo a futura relação bilateral.

"Propomos um amplo e ambicioso acordo de livre-comércio entre o Reino Unido e a União Europeia. Este acordo deve ter maior alcance e ambição que qualquer pacto similar até agora e cobrir setores cruciais para nossas economias, como os serviços financeiros", afirma. EFE