Polêmica mensagem de Netanyahu contra voto árabe gera protestos na esquerda

Jerusalém, 17 mar (EFE).- Uma polêmica mensagem no Facebook do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pedindo para seus simpatizantes participarem das eleições para resistir a um suposto crescimento do voto da minoria árabe foi duramente condenada pela esquerda israelense.

"Nenhum líder ocidental ousaria fazer semelhante comentário racista", criticou a deputada trabalhista Shelly Yachimovich em sua página no Facebook.

"Imaginem um primeiro-ministro ou presidente em qualquer democracia advertir que seu governo está em perigo porque, por exemplo, os eleitores negros estão votando em massa. É asqueroso, não?, exemplificou a ex-dirigente do Partido Trabalhista.

Pouco antes, o chefe do partido Likud tinha escrito uma mensagem advertindo que a direita em Israel estava em "perigo" devido ao alto índice de participação entre a minoria árabe que, pela primeira vez na história, participa de uma eleição com uma coalizão única, que reúne quatro legendas.

"Os eleitores árabes estão indo em massas às urnas. Organizações de esquerda estão os transportando", alertou Netanyahu em seu polêmico mensagem, que foi denunciado para a a Comissão Eleitoral pela deputada árabe Hanin Zohavi.

A deputada pela chamada Lista Árabe Comum pediu ao presidente da Comissão Eleitoral, Salim Yubran, que impeça a "campanha do Likud contra o voto árabe", informou a imprensa local.

Quase 5,9 milhões de israelenses estão convocados para participar hoje das eleições legislativas no país, após seis anos sob o mandato de Netanyahu, que busca sua terceira reeleição consecutiva.

O voto árabe pode ser crucial para que a União Sionista, de centro-esquerda, tire a coalizão de Netanyahu do poder, pois um voto em massa da minoria equipararia o número de deputados árabes a sua porcentagem na população, que é de 20%.

Na última legislatura, os três partidos que representam esta minoria tiveram em seu conjunto apens 10 cadeiras, muito abaixo de seu peso demográfico. EFE