Live, hoje, conta a história do autor da música ‘Olhos coloridos’

Jacqueline Costa
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RIO — Considerada um hino do orgulho negro, a música “Olhos coloridos” será tema de uma live, hoje, às 20h, que revelará a vida e a arte de Macau, o seu compositor. Criada por ele nos anos 1970 e famosa pela interpretação de Sandra de Sá, a canção estourou nas paradas populares de rádios e programas de TV em 1982, quando foi lançada. Até hoje, é um sucesso. Recentemente, o rapper americano Puff Daddy também mostrou interesse em regravá-la. Além de Sandra, a live contará com a participação de artistas como BNegão, Mayla Hadalla, Augusto Bapt, Jô Borges, Nanda Fellyx e Verônica Bonfim.

Pelo telefone, dando show de simpatia, Macau conta que a música “Olhos coloridos” surgiu a partir de um episódio de racismo sofrido por ele em um evento escolar no antigo Estádio de Remo da Lagoa. Morador da Cruzada São Sebastião na época, o artista foi conduzido sem qualquer motivo por um policial militar até um sargento, que ironizou o seu cabelo enrolado, a sua roupa e até mesmo o seu sorriso. O sargento, assim como Macau, era preto.

— O racismo não acabou. Vou me apropriar da minha vida para mostrar que juntos somos mais fortes e que você não precisa ser preto para lutar contra o racismo. Será uma bênção poder compartilhar minhas histórias e minhas músicas com o público — diz Macau, que mora em Laranjeiras e é casado há 15 anos com Moara Menezes, criadora, produtora executiva e diretora-geral do projeto.

Por meio das composições, os espectadores terão a chance de conhecer um pouco mais sobre a história desse músico que nasceu em 1952, na Favela Praia do Pinto. Por conta de um incêndio, cujas causas nunca foram esclarecidas, os moradores foram removidos para a Cruzada São Sebastião, no Leblon. Ali, Macau foi criado e fundou sua primeira banda, Paulo Bagunça e a Tropa Maldita. Ele lembra que era um período da efervescência das gravadoras musicais.

Na live, Macau também apresentará pela primeira vez a música que fez com o amigo Luiz Melodia, chamada “Nada a declarar”, além de “O amigo de Nova York”, gravada pelo também saudoso Emílio Santiago. “Trem da Central”, composta em parceria com Sandra, e a inédita “A palma da minha mão é preta”, definida pelo autor como uma reflexão sobre a etnia, também estarão presentes no repertório.

A live “Olhos coloridos — Um hino?”, que tem Verônica Bonfim como diretora artística e Rickson Breda como diretor musical, vai ser transmitida no canal Macau Olhos Coloridos, no YouTube. Mariana Kaufman é diretora de audiovisual.

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