Liverpool vai analisar o Flamengo e recuperar peças

Carlos Eduardo Mansur, enviado especial
Juergen Klopp, técnico do Liverpool, tinha poucas opções no banco de reservas para a partida contra o Monterrey, do México

O Mundial de Clubes permite a inscrição de 23 jogadores. Nesta quarta-feira, Jürgen Klopp olhava para o banco e via apenas sete reservas. Em campo, estava um Liverpoolcom time misto, resultado de lesões e da decisão de poupar jogadores em meio a um calendário desgastante para os padrões europeus. Além dos desfalques, outros três jovens que atuaram pelo time sub-23, goleado na Copa da Liga pelo Aston Villa, somente chegaram a Doha no dia do jogo com o Monterrey. A partir de agora, o trabalho da comissão técnica inglesa se divide em duas frentes: dissecar o Flamengo e recuperar jogadores.

Há esperança de que o zagueiro Van Dijk reapareça na final de sábado, contra os rubro-negros. O meia holandês Wijnaldum parece ter menos possibilidades num meio-campo que já perdera Fabinho antes mesmo da viagem a Doha.

Hoje, sobram ferramentas para analisar um adversário. Da mesma forma como o Flamengo não vai se limitar à atípica semifinal de ontem, o Liverpool não vai tirar conclusões apenas a partir da vitória rubro-negra sobre o Al-Hilal. Jogo que, aliás, deixou boa impressão.

— Vi um jogo muito aberto em vários momentos. Será um adversário muito diferente do que tivemos hoje. Mas não julgo um time ou um jogador por uma partida. Vamos ver três ou mais jogos deles.

O treinador alemão reconhece uma influência europeia no trabalho de Jorge Jesus no Flamengo. Mas prefere destacar a qualidade dos jogadores.

— Conheço bem Jorge Jessus, é vitorioso. Há uma influência portuguesa, mas o jogo seria difícil mesmo se não fosse um técnico europeu. O talento dos jogadores fala muito. Espero um jogo mais difícil. Eles têm o elenco completo e nós estamos tentando recuperar jogadores o mais rapidamente possível. O Monterrey tinha 12 jogadores no banco e nós não — disse ele.

Uma dúvida Klopp deve levar até sábado. O jogo com o Al-Hilal teve características usuais em partidas do Flamengo: um time ofensivo, buscando o gol. A questão é que nem todos os rivais enfrentam assim o seu Liverpool.

O fato é que, apesar da eterna discussão sobre o real valor do Mundial para um time europeu, o Liverpool busca no Qatar algo significativo: o único troféu que não tem em sua galeria. Por duas vezes, por causa da violência dos choques contra sul-americanos, os ingleses abriram mão da antiga Copa Intercontinental. Em 1981, perderam justamente para o Flamengo e, três anos depois, para o Independiente, em confrontos no Japão. Em 2005, já na versão moderna do torneio da Fifa, o Liverpool caiu diante do São Paulo na decisão.

É para isso que estamos aqui, para vencer. Demos o primeiro passo e agora esperamos colocar a mão nesta taça — afirmou o lateral esquerdo Robertson.

Os jogadores assistiram do hotel à vitória do Flamengo na semifinal.

— O Flamengo enfrentou um rival cheio de energia, que tirou o melhor deles, e mesmo assim eles conseguiram controlar o jogo. Eles têm um time excepcional — disse Robertson.

— Não é um desafio só para o Flamengo. É para nós também — disse o goleiro Alisson.

Um sintoma de que, uma vez começado o torneio, a competitividade cresce, foi a discussão entre Klopp e o argentino Antonio Mohamed, técnico do Monterrey. Este último cobrava a expulsão de Joe Gomez após falta no segundo tempo.

— Por vezes a camisa pesa — protestou o argentino.