Lives de Bolsonaro viram horário eleitoral e MP aponta abuso

Ana Paula Ramos
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Presidente Jair Bolsonaro pede votos para Delegada Patrícia, candidata à Prefeitura de Recife (Foto: Reprodução/ Facebook)
Presidente Jair Bolsonaro pede votos para Delegada Patrícia, candidata à Prefeitura de Recife (Foto: Reprodução/ Facebook)

O presidente Jair Bolsonaro usou novamente sua transmissão ao vivo nas redes sociais na segunda-feira (9) para fazer campanha a candidatos, apesar da investigação do Ministério Público Eleitoral que apura possíveis ilícitos cometidos por ele durante lives ao pedir votos a candidatos.

Além de aparecer ao lado da candidata à Prefeitura de Recife, Delegada Patrícia, Bolsonaro citou também seu filho Carlos Bolsonaro (Republicanos -RJ), que tenta a reeleição como vereador no Rio, e Celso Russomanno, candidato a prefeito em São Paulo.

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Durante a live, falou em “varrer o comunismo do país” e disse haver “cinquenta mil” postulantes às Câmaras Municipais simpáticos à sua causa.

A Procuradoria Regional Eleitoral do Rio pediu ao Ministério Público Estadual, no dia 7, a abertura de apuração de práticas de ilícitos cometidos por Bolsonaro na transmissão ao vivo de quinta-feira (5), quando ele pediu votos para dez candidatos a vereador - incluindo seu filho Carlos Bolsonaro - e sete candidatos a prefeito.

O presidente ignorou o Ministério Público Eleitoral do Rio e, no sábado, anunciou em outra live que, a partir de segunda (9), faria o “horário gratuito” diariamente até sábado, véspera das eleições.

“Nós temos quinhentos e cinquenta mil candidatos pelo Brasil. Acredito que, desses, meio milhão são (sic) candidatos a vereadores. E, no mínimo aí, 10% disso é simpático à minha causa. Então temos, no mínimo, cinquenta mil simpáticos a nossa causa aí”, disse Bolsonaro na live. “Eu não tenho como fazer campanha nem para 1% desses todos. Então, vamos fazer campanha para alguns”.

Em sua fala, Bolsonaro disse que Russomanno era “perfeitamente afinado” com ele.

“Uma eleição difícil; São Paulo é o terceiro orçamento do Brasil. E é, obviamente, a cidade mais importante aqui, por ocasião das eleições. (...) Eu peço a você, em especial indeciso, que vote no Celso Russomanno para ajudar o governo a seguir o seu rumo”, insistiu Bolsonaro.

Sobre Carlos Bolsonaro, não poupou elogios ao trabalho feito pelo 02 durante a campanha de 2018 nas redes sociais.

“Obviamente, se não fosse ele, não teria sido eleito”, afirmou o presidente. “Sou suspeito para falar sobre ele, mas eu peço de coração que você do Rio de Janeiro, que votou em mim, se for possível, vote nele por ocasião das eleições agora para vereador do Rio de Janeiro”, apelou Bolsonaro, que ainda deu o número do filho candidato.

Marcelo Crivella (Republicanos), que tenta se reeleger prefeito do Rio, mas está em queda nas pesquisas, também ganhou uma “força” do presidente. Crivella foi alvo, recentemente, de ação de busca e apreensão da Polícia e do Ministério Público no âmbito de inquérito instaurado para investigar organização criminosa e esquema de corrupção na Prefeitura do Rio.

“Ele é um candidato que tem o couro grosso e tem como resistir (...), está resistindo”, disse Bolsonaro.

Na lista de apoiados pelo presidente, estava ainda a candidata a prefeita de Recife, Delegada Patrícia (Podemos). No Facebook, Bolsonaro postou uma imagem em que aparece, numa montagem, ao lado dela. No Twitter, um vídeo foi compartilhado no perfil oficial da Delegada Patrícia.

Bolsonaro destacou que era preciso “varrer o comunismo”.

“Partidos que tinham cores vermelha e foice e martelo mudaram isso nessas eleições. Se você quer que não se repita, invista em seu município e não vote em partido de esquerda”, afirmou. “Não aceitaremos e vamos varrer o comunismo e o socialismo neste País.”

As pesquisas apontam um segundo turno entre os primos João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT). A candidata do Podemos enfrenta dificuldades na disputa.

“Eu apelo especialmente para quem está indeciso. Vamos ter canal direto com ela”, pediu Bolsonaro em seu horário gratuito. “Vamos buscar uma maneira de pintar de verde e amarelo o Nordeste”, destacou.

A propaganda política de Bolsonaro provocou discordância e polêmica na chapa dela.

O Diretório Nacional do Cidadania, partido que fazia parte da coligação, resolveu se afastar da campanha.

“A presença do senhor presidente da República, um obscurantista e negacionista, no palanque da referida candidata é incompatível com os valores e princípios defendidos pelo Cidadania”, disse a nota assinada pelo presidente do partido, Roberto Freire.

Já o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), disse estar surpreso com a decisão de Bolsonaro de apoiar Delegada Patrícia, "a despeito da posição de neutralidade anteriormente assumida". No Recife, Bezerra Coelho apoia a candidatura de Mendonça Filho (DEM).