Livro conta história de políticos sob a ótica das prostitutas: 'São os primeiros a buscar os serviços', diz o autor

Ao longo do tempo, inúmeras obras mostraram que uma história pode mudar drasticamente quando se troca o narrador. A visão de cada pessoa é influenciada por vários fatores. E muitas vezes o faro jornalístico busca quem foi o menos ouvido. É com a ideia desse recorte diferenciado que o jornalista Sílvio Barsetti lança o livro “O outro lado do poder — A história da política brasileira pela ótica das prostitutas” (Máquina dos Livros, preço sugerido de R$ 49).

— O tema é muito importante e instigante, ainda mais num país em que a promiscuidade política é bastante presente — enfatiza o autor.

Para o projeto, ele visitou bordéis e cabarés frequentados por políticos. Ouviu histórias de figuras desde o ex-presidente Getúlio Vargas, que esteve no cargo pela última vez em 1954, até casos atuais. O que também mostra um comparativo histórico.

— As mais velhas são do tempo em que a frequência em bordéis e inferninhos era algo comum, trivial mesmo, e contavam com a presença até de presidentes da República. Já as mais jovens, acompanhantes de luxo, investem em conhecimento, cursam faculdades, em sua maioria, e falam dois ou três idiomas — analisa Barsetti, que chegou a enfrentar uma resistência dos entrevistados por conta do tema: — As prostitutas ficavam desconfiadas. Os políticos, mais ainda! E vários deles fugiram dos encontros marcados ao saber exatamente do que se tratava.

O escritor, também autor de “A Farra dos Guardanapos — O último baile da era Cabral”, de 2018, aponta para um moralismo usado na política como bandeira:

— O retorno (deste livro) pode sinalizar o interesse da sociedade em conhecer a fundo bastidores da vida política, em desnudar os que vivem protegidos por discursos em defesa da família e que, longe dos holofotes, são os primeiros a buscar os serviços das profissionais do sexo.