Livro conta como Edir Macedo passou de apoiador do PT a antipetista

Edir Macedo e Silvio Santos ao lado do presidente Jair Bolsonaro (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Edir Macedo apoiou o PT até as eleições de 2018, quando se recusou a apoiar Haddad

  • Jornalista explica o projeto de poder do bispo da Universal

A posição do bispo Edir Macedo como um dos maiores aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), é símbolo da sua mudança radical nos projetos políticos que apoia e defende em seus templos. No livro "O Reino - A história de Edir Macedo e uma radiografia da Igreja Universal" (Cia. das Letras), nas prateleiras das livrarias desde quinta-feira (28), o jornalista Gilberto Nascimento conta como o líder evangélico foi do petismo ao antipetismo exacerbado em alguns anos.

O autor detalha como, em 2006, Macedo passou uma lista de assinaturas para os participantes dos cultos da Igreja Universal do Reino de Deus para viabilizar a criação do Partido Municipalista Renovador. Fazia parte do PMR José Alencar – vice do então presidente Lula que deixava o PL após os escândalos do Mensalão. Nesta semana, Edir Macedo se disponibilizou a fazer o mesmo para que Bolsonaro consiga recolher as 500 mil assinaturas necessárias para criar o Aliança Pelo Brasil.

"Com a filiação em massa de aliados, os seguidores do bispo se consolidaram no poder dentro da nova agremiação e mudaram o nome para Partido Republicano Brasileiro, PRB, um mês depois", conta o jornalista.

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Em 2008, o bispo passou a falar publicamente sobre a sua estratégia para que a Igreja Universal do Reino de Deus alcançasse espaço na política brasileira. Macedo é um dos autores do livro “Plano de poder: Deus, os cristãos e a política lançamento”, lançado em 2011, que delimita as posições políticas da Universal com o objetivo de chegar aos três poderes do Estado brasileiro.

No livro, Gilberto Nascimento relembra que Macedo não apoiou somente Lula, mas Dilma Rousseff também. Em 2010, o bispo chamou o seu concorrente, Silas Malafaia, de “falso profeta” por atacar a petista. Em troca, Malafaia disse que Edir Macedo era "único pastor do mundo que é a favor do aborto".

"Quem pensa que está prestando algum serviço ao Reino de Deus, espalhando uma informação sem ter certeza de sua veracidade, na verdade, está fazendo o jogo do diabo", escreveu o bispo em seu blog na época.

Edir Macedo seguiu apoiando Dilma na reeleição. Mas tudo mudou em 2018, quando se recusou a apoiar Fernando Haddad. A princípio, tentou se aproximar de Geraldo Alckmin (PSDB), mas diante dos resultados pífios do tucano nas pesquisas, declarou seu apoio a Jair Bolsonaro. O livro explica a mudança repentina:

"Quando titular da pasta da Educação na gestão petista, Haddad já havia provocado a ira de Macedo ao resistir à ideia de a Universal criar uma universidade própria. Após essa recusa, segundo assessores, o ministro passou a receber críticas de evangélicos por, supostamente, ser o responsável pelo lançamento de um "kit gay" nas escolas, termo pejorativo para se referir ao programa Escola sem Homofobia, na verdade uma iniciativa do Legislativo.”

Bolsonaro conquistou de vez a fidelidade de Macedo e da Universal ao dar sua primeira entrevista após a eleição não à TV Globo, mas à Record – cujo dono é ninguém menos que o próprio bispo. Hoje, o bispo, a Universal e o canal de televisão estão entre os maiores críticos do Partido dos Trabalhadores.