Livro discute importância da educação antirracista

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RIO — Nove professoras negras. Nove autoras. Um time feminino de profissionais de educação se reuniu para discutir a importância de levar para sala de aula a história africana e o legado desta cultura para o Brasil. O resultado deste trabalho é o livro “Práticas curriculares antirracistas: temas em construção” (Editora WAK), que tem Janaína de Azevedo Corenza, moradora do Engenho Novo, como uma das escritoras e organizadora da obra.

De acordo com a pedagoga, a iniciativa se deu para fazer um alerta de que a Lei Federal 10.639 (2003) — que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional e inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e cultura afro-brasileira” — não é cumprida plenamente. O livro ainda aponta caminhos para alterar este quadro, como a adoção nas escolas de material didático produzido por autores negros.

— Caiu a nossa ficha de que os escritores que são lidos pelos alunos são majoritariamente brancos e que ensinam a história apenas pelo ponto de vista europeu. Estamos chamando a atenção para a necessidade de uma mudança real no currículo escolar, em que a cultura africana seja contada com toda a sua riqueza. Infelizmente, quando se fala em negros em sala de aula, é apenas sobre o período da escravidão e ainda colocando-os numa posição de submissão, quando, na verdade, houve luta. A informação sobre os antigos reinos africanos, suas características, conquistas, é uma necessidade para criamos de fato uma sociedade antirracista. O currículo escolar precisa contemplar esses assuntos — diz a professora. — A educação sobre a cultura africana ainda está muito presa ao mês de novembro, devido ao Dia da Consciência Negra. Quando o dia 20 passa, não se fala mais profundamente sobre o tema.

Janaína não tem a menor dúvida de que só a educação pode dar um basta no racismo estrutural que insiste em se fazer presente no país.

— Se o racismo está em nosso dia a dia, isso se deve à história que é contada e que não valoriza o continente africano e os conhecimentos que vieram dali. Vemos tantos episódios de racismo porque desde a mais tenra idade aprendemos que ser negro não é bom, que tudo que vem da África é ruim. Lamentavelmente, a cultura negra ainda é vista como algo negativo. Se a Lei 10.639 emplacar de fato, deixar de estar apenas no papel, as nossas crianças vão crescer sabendo que as suas origens ancestrais são de grandes reinos, de grandes saberes, que nos deixaram um grande legado — observa.

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