Livro de escritor gonçalense combate o preconceito contra religiões afro-brasileiras

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NITERÓI — Criado nas bordas do Jardim Catarina, em São Gonçalo, como gosta de dizer, e desde sempre acostumado com todas as religiões, Rodrigo Santos, professor de português da rede municipal de Niterói, viu o preconceito escancarado dentro de sala de aula e resolveu agir do jeito que sabe melhor: escrevendo. Ele criou o romance “Macumba”, em 2019, que conta a história de um policial evangélico investigando mortes misteriosas em centros de candomblé e umbanda de Niterói e São Gonçalo. Depois da boa repercussão do livro, que já está na segunda edição e lhe rendeu convite para publicar em uma coletânea de novos escritores brasileiros na França, ele lança “Carcará”, com 14 contos urbanos, em sua maioria ambientados na região.

— A geografia urbana de São Gonçalo me atrai, e a alma do gonçalense me atravessa. Essa solidão compartilhada que temos vivido nos último anos, que faz as pessoas se encontrarem para beber cada uma na sua casa, conversando pelo WhatsApp, isso tudo está aí, em “Carcará” — adianta.

Santos diz que seu próximo romance, a continuação de “Macumba”, está pronto e será lançado no ano que vem. O escritor ainda negocia os direitos do livro para o cinema e uma série. A repercussão de “Macumba” fez com que muitas portas se abrissem para o autor, mas ele diz que o propósito maior sempre foi desmobilizar a onda de preconceito contra as religiões de matrizes africanas. Ele lembra do episódio que o levou a escrever o livro e lamenta a recorrência de casos do tipo.

— Uma estudante que era do candomblé raspou a cabeça e precisou mentir na escola, dizendo que estava com leucemia, para não sofrer bullying. Isso é muito cruel, porque a fez negar sua ancestralidade. Coisas como essa acontecem o tempo todo e precisam acabar — diz ele, que considera a desinformação a brecha para o preconceito. — Sempre vivenciei todas as religiosidades. A minha avó era católica e eu tinha uma tia que era do candomblé e depois foi para a umbanda.

Ao lembrar a infância, Santos conta que quanto mais difícil a vida ficava mais ele lia:

— Meu refúgio foi a leitura.

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