Livro resgatará memória do Playcenter, que fechou em SP em julho

O Playcenter foi inaugurado em 27 de julho de 1973. (Foto: Celio Jr/ AE)SÃO PAULO - Um livro de memórias, com muitas fotos, algumas delas inéditas, além de curiosidades. É assim que o jornalista Maurício Nunes define sua próxima obra, que será lançada em outubro, no Dia das Crianças, pela editora Zelig. Trata-se de um livro sobre a história de 39 anos do Playcenter, que já foi considerado o maior parque de diversões da América Latina e fechou as portas, em definitivo, no último domingo, em São Paulo.

Aberto em 1973, na Marginal Tietê, na Barra Funda, o local tem inúmeras histórias que serão resgatadas e contadas com bom humor por Nunes. Uma delas diz respeito à visita surpresa do astro pop Michael Jackson, em 1993, noticiada com exclusividade pela TV Globo, na ocasião, a pedido do próprio dono do parque, Marcelo Gutglas. Detalhes íntimos do astro pop, cuja aparição obrigou o parque a fechar antes para o público, estarão na publicação.

Mais grandioso e com mais atrações - principalmente nos áureos tempos, de 1973 a 1995 - o Playcenter está para o paulistano como o Tivoli Parque da Lagoa Rodrigo de Freitas para os cariocas.

Segundo nota divulgada pelo Grupo Playcenter em março deste ano, quando do anúncio do fechamento do parque, na mesma área será feito um investimento na ordem de R$ 40 milhões para a criação de um novo parque "dentro um conceito de diversão inédito no Brasil, projetado sob medida para os pais". A atração será destinada apenas a crianças. De acordo com o Playcenter, após estudos feitos nos últimos anos, concluiu-se que a cidade tem carência de espaços onde os pais possam brincar e interagir junto com seus filhos.

Nunes, de 40 anos, além de fã, acompanhou boa parte da história do Playcenter como frequentador, desde criança. Além desse trabalho, ele é autor do livro "Sexo, Cinema & Dois Corpos Fumegantes" e da peça "Lolitas", também publicada em versão graphic novel. Em conversa com o GLOBO, adiantou algumas das histórias contidas no livro sobre o Playcenter.

O GLOBO: Como surgiu a ideia do livro?

Maurício Nunes: Sempre fui um admirador do parque e passei grande parte da minha infância nos arredores. Ao escrever um texto no meu blog sobre a tristeza de ver o parque fechar as portas, fui surpreendido por um e-mail do Marcelo Gutglas, o presidente do parque, me convidando para um café e aí, tamanha nossa afinidade, surgiu a ideia em conjunto de registrar as memórias destes quase 40 anos do parque em um livro.

O GLOBO: O que poderia nos adiantar sobre a obra?

Maurício: O livro vai conter a história do parque desde os primórdios. São curiosidades, alguns 'causos' destas quatro décadas, depoimentos de fãs e de algumas personalidades e muitas fotos históricas desse que foi um dos maiores símbolos de diversão do país. Tem, por exemplo, algumas curiosidades em relação à visita do Michael Jackson, em 1993. Tem a história do (mágico) David Copperfield, que fez uma mágica inesperada em uma das atrações. Há também a história, dentre outras muitas, de uma ação de uma empresa de chocolates com 40 vacas suíças passeando dentro do parque. Tudo contado de forma didática e com bom humor, após uma série de entrevistas com pessoas relacionadas de alguma forma com o parque.

O GLOBO: Você se identifica muito com o Playcenter, é frequentador assíduo desde criança...

Maurício: Eu sou fã de parques, porque nunca perdi minha veia de menino, talvez pelo diagnóstico da síndrome de Peter Pan. Já fui varias vezes pra Disney e outros parques, mas, contrariando a maioria dos "parqueiros", assumo que sou medroso e encaro poucas atrações radicais (risos). Tanto que vivi muito dentro do Playcenter nas décadas de 1970 e 1980, mas depois dos (anos) 90, quando o parque começou a focar mais em atrações de adrenalina, confesso que fiquei um bom tempo sem aparecer por lá. Mas só o fato de respirar aquele ar e ver a torre todo dia quando cruzo a Marginal (Tietê), me dá a sensação da minha infância sempre ali presente, me vigiando.

Carregando...

Siga o Yahoo Notícias