Liz Truss vence disputa para ser primeira-ministra do Reino Unido

Liz Truss em Londres

Por Elizabeth Piper e Kylie MacLellan

LONDRES (Reuters) - Liz Truss venceu a disputa para ser líder do Partido Conservador e próxima primeira-ministra do Reino Unido nesta segunda-feira, assumindo o cargo em um momento em que o país enfrenta uma crise de custo de vida, agitação industrial e recessão.

Após semanas de uma disputa de liderança partidária muitas vezes amarga e divisiva que colocou Truss contra Rishi Sunak, ex-ministro das Finanças, Truss venceu a disputa entre membros do partido por 81.326 votos a 60.399.

"Precisamos mostrar o que vamos entregar nos próximos dois anos. Vou entregar um plano ousado para cortar impostos e fazer nossa economia crescer", disse Truss após o anúncio do resultado.

"Vou responder à crise de energia, lidando com as contas de energia das pessoas, mas também lidando com os problemas de longo prazo que temos no fornecimento de energia."

O anúncio desta segunda-feira desencadeia o início da transferência de poder de Boris Johnson, que foi forçado a anunciar sua renúncia em julho depois de meses de escândalo. Ele viajará para a Escócia para se encontrar com a rainha Elizabeth na terça-feira para apresentar oficialmente sua renúncia. Sua sucessora o seguirá e será convidada a formar um governo.

Por muito tempo a favorita na corrida para substituir Johnson, Truss se tornará a quarta primeira-ministra dos conservadores desde as eleições de 2015. Durante esse período, o país passou por diversas crises e agora enfrenta o que deve ser uma longa recessão desencadeada pela disparada da inflação, que atingiu 10,1% em julho.

Ministra das Relações Exteriores de Johnson, Truss, de 47 anos, prometeu agir rapidamente para enfrentar a crise do custo de vida do Reino Unido, dizendo que dentro de uma semana ela apresentará um plano para combater o aumento das contas de energia e garantir o abastecimento futuro de combustível.

Truss sinalizou durante sua campanha que desafiará a convenção ao acabar com os aumentos de impostos e cortar outras taxas que, segundo alguns economistas, alimentarão a inflação.

Isso, mais a promessa de revisar o mandato do Banco da Inglaterra enquanto protege sua independência, levou alguns investidores a abandonar a libra e os títulos do governo.

Truss enfrenta uma longa, cara e difícil lista de tarefas, que os parlamentares da oposição dizem ser resultado de 12 anos de um governo conservador fraco. Vários pediram eleições antecipadas, algo que Truss disse que não permitirá.

Truss disse que nomeará um gabinete forte, dispensando o que uma fonte próxima a ela chamou de "estilo presidencial" de governo, e ela terá que se esforçar para conquistar alguns parlamentares de seu partido que apoiaram Sunak na corrida.

(Reportagem de Elizabeth Piper e William Schomberg)