Lockdown avança no Rio: Realengo e Santa Cruz devem ser os próximos bairros

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Guardas ficam 24 em pontos de bloqueio no calçadão de Campo Grande: só passa quem tem justificativa plausível

Na quinta-feira os bloqueios começaram no Calçadão de Campo Grande, Zona Oeste do Rio. Nesta sexta, será a vez do de Bangu, que terá comércio não essencial fechado e acessos fiscalizados por guardas municipais. Em seguida, as medidas deverão ser estendidas a Realengo, Santa Cruz e até bairros da Zona Sul, informou na quinta-feira o prefeito Marcelo Crivella. Em Niterói, no início da noite de ontem, a Câmara dos Vereadores do município aprovou o lockdown na cidade entre 11 e 15 de maio, podendo o prazo ser prorrogado. Será proibido circular nas ruas, praças e praias. O descumprimento resultará em multa de R$ 180, que pode ser dobrada em caso de reincidência.

No município do Rio, a medida ainda fica restrita a bairros.

— O que dita a regra para o fechamento é o mapeamento do Big Data, no qual recebemos informações tanto de antena de celulares, de satélites e do Disk-Aglomeração. E tudo isso nos passa a informação da quantidade de pedestres. Lá em Bangu ainda existem pontos de aglomeração – destacou o secretário de Ordem Pública, Gutemberg Fonseca, em entrevista à TV Globo.

A decisão de cercar com grades cinco os acessos do bairro e colocar 24h agentes da Guarda Municipal em algumas ruas de Campo Grande se deve ao desrespeito da população às recomendações de isolamento social e à sobrecarga do sistema de saúde do município durante a pandemia.

— Em diversos bairros da Zona Oeste, as pessoas insistem (em ir para a rua) nesse momento de pandemia. (...) Vamos começar ocupando territórios. Começamos por Campo Grande, depois Bangu, depois Realengo e Santa Cruz. A gente percorre toda a Zona Oeste. E não significa que ficaremos só aqui. Com os dados de aglomeração, vamos para todos os bairros da cidade. Teremos um monitoramento total dos clientes que passarem pelas barreiras para usar os comércios essenciais. Uma vez que ele descumprir, vamos atrás e pedir para ele se retirar — disse o secretário, citando Copacabana, que concentra o maior número de casos e óbitos do município.

Crivella vinha anunciando que tomaria medidas duras onde a população não estava respeitando o isolamento social:

— É uma medida extrema, mas necessária. Por isso, nós pedimos à população da Zona Oeste que, por favor, evite as aglomerações e evite também os comércios ambulantes e esses quiosques que ficam abertos e acabam ajudando a juntar muita gente — disse ontem de manhã.

Recorde de mortes

Segundo o boletim divulgado pela Secretaria estadual de Saúde na quinta-feira, o Rio teve um novo recorde de casos e mortes confirmados em 24 horas. Foram registrados 189 óbitos. É a primeira vez que mais de cem mortes são registradas em um dia no estado. O recorde anterior era do dia anterior, quando foram registradas 82 mortes.

No total, o estado já acumula 1.394 pessoas mortas com coronavírus e 14.156 casos confirmados desde o início da pandemia. Há ainda 570 óbitos em investigação.

O triste recorde também foi atingido na capital, onde foram confirmadas 155 mortes pelo coronavírus nas últimas 24 horas, três vezes mais do que o pico anterior, que era de 51 óbitos. Ao todo, a capital já registrou 9.051 pessoas infectadas e 919 mortes. Copacabana voltou a ser o bairro com mais vítimas, superando Campo Grande, na Zona Oeste. No bairro da Zona Sul foram registrados 18 óbitos nas últimas 24 horas. Os bairros com mais mortes são Copacabana (57), Campo Grande (48), Bangu (45), Realengo (31) e Tijuca (29).

Witzel: decisão ficará a cargo dos prefeitos

O governador Wilson Witzel disse que a decisão de lockdown ficará a cargo de cada prefeito. E que o estado contribuirá com os apoios das polícias Militar e Civil para a fiscalização dos municípios que aderirem à medida.

— O governo estadual já tomou todas as medidas para isolamento social — disse, acrescentando que já disponibilizou as polícias para os municípios do Rio, de Niterói, Belford Roxo, Nova Iguaçu e Duque de Caxias.

No lockdown pontual na Zona Oeste do Rio, funcionários de serviços essenciais, como supermercados, bancos, farmácias e lojas de material de construção, poderão circular desde que apresentem o crachá do trabalho.

Sobre a presença e possível represália da milícia a comerciantes que fecharem as lojas na Zona Oeste, Gutemberg Fonseca afirmou que “a milícia também é cidadã” e morre com a doença:

— É natural que tenhamos a participação da PM (nessas ações). Todas as vezes que tivermos a interferência (da milícia), o estado vai agir conosco. Agora, a milícia também é cidadã. A milícia, seja ela qual for, também morre com a doença. Independentemente de quem for, estamos falando de vidas.

A prefeitura informou que estão sendo confiscados mesas, cadeiras e produtos de estabelecimentos que descumprirem a determinação. Também está proibida a venda de bebidas e alimentos para consumo imediato no local. Além das sanções, o comércio que descumprir as normas pode ser interditado e até perder seu alvará.

Entenda o que é o lockdown

O lockdown consiste no “confinamento total”. Diferentemente do isolamento social, que é uma recomendação, e da quarentena, o lockdown impede ou restringe ao extremo o funcionamento de serviços, comércio e indústrias para impedir a circulação de pessoas.

A medida limita direitos individuais, com dias e horários de circulação pré-determinados, e de propriedade (funcionamento de bares e restaurantes, por exemplo). Isso inclui os serviços essenciais, que também teriam de se adequar a algumas proibições, como filas e horários de funcionamento.

— Seria estabelecido o dia em que as pessoas poderiam sair e e um possível rodízio, como no Peru, que alternava dias para homens e mulheres saírem, e durante os fins de semana todos em casa. Todos os estabelecimentos não essenciais seriam fechados e funcionariam só mercados, padarias, farmácias e funerárias — explica o advogado Manoel Peixinho, especialista em direito administrativo.

Estados teriam o poder de multar e prender em caso de desobediência.