Lockdown derruba casos de Covid em Portugal, mas governo deve manter restrições até março

GIULIANA MIRANDA
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LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) - Após enfrentar um cenário de descontrole da pandemia em janeiro --com o país no topo do ranking mundial de novos casos e mortes por Covid-19 por milhão de habitantes--, Portugal apresenta agora uma queda acentuada nas infecções pelo coronavírus. Com cerca de 10 milhões de habitantes, o país, que chegou a um recorde de 16.432 novas infecções em 28 daquele mês, somou 2.583 nesta terça-feira (9). A média semanal de infecções caiu mais de 50% em comparação ao fim de janeiro. O resultado, no entanto, ainda é considerado frágil, e o confinamento deve durar até meados de março, sinalizou o governo, após reunião virtual com os principais especialistas do país no tema. O primeiro-ministro, António Costa (Partido Socialista), afirmou que, embora as restrições já estejam reduzindo os contágios e a pressão sobre o Sistema Nacional de Saúde, é preciso prolongar o lockdown. "Concluímos [na reunião com os especialistas] também que, quanto maior a intensidade do confinamento, mais rápidos são os resultados, e que os elevados níveis da pandemia requerem o prolongamento do atual nível de confinamento", disse o premiê. Coube à ministra da Saúde, Marta Temido, precisar por quanto tempo devem vigorar as medidas mais restritivas: até meados de março. O lockdown prolongado, com fechamento de escolas, foi defendido pelo epidemiologista Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, que afirmou que este é o cenário em que as projeções veem melhor controle da pandemia. Segundo ele, embora o confinamento já tenha reduzido a transmissão atual do vírus, a "incidência acumulada a 14 dias encontra-se a níveis considerados extremamente elevados". Após um aumento acentuado de casos nas duas primeiras semanas de janeiro, reflexo do relaxamento das medidas de restrição no período de Natal, Portugal adotou uma espécie de confinamento soft em 15 de janeiro. Escolas e universidades continuavam a funcionar, além de várias exceções de funcionamento no setor de serviços. A baixa adesão voluntária da população, e o aumento de casos entre jovens nas escolas, levou o governo a adotar medidas mais duras a partir de 22 janeiro. Além de suspender aulas presenciais, as autoridades impuseram um toque de recolher mais duro em boa parte do país. Por conta das novas variantes do coronavírus, Portugal inicialmente suspendeu todos os voos para o Brasil e o Reino Unido e também os que vêm desses países. Por fim, em 28 de janeiro, o governo decidiu fechar todas as fronteiras, liberando a entrada e saída do país apenas em casos extraordinários. As fronteiras devem seguir fechadas durante o confinamento prolongado. No decreto de renovação do Estado de Emergência, que deve revalidar as restrições por mais 15 dias, tudo permanece como está. O confinamento linha-dura é até mais restritivo do que o enfrentado na primeira onda da pandemia, em março e abril de 2020. A abordagem foi considerada necessária após o sistema de saúde pública no país ter estado perto de colapsar. Por todo o país, hospitais estiveram lotados e houve filas com dezenas de ambulâncias em unidades da região metropolitana de Lisboa. Além do recorde de novos casos (42% do total de todos os registrados desde o começo da pandemia), janeiro também ficou marcado pelas mortes. O mês concentrou quase 45% de todos os mortos por Covid-19 no país. Foram 5.576 óbitos em 31 dias, contra 6.906 entre março e dezembro. Esperança para o controle efetivo da Covid-19, a vacinação em Portugal, assim como em outros países europeus, tem enfrentado atrasos. Na mesma reunião de especialistas, o governo assumiu que a primeira fase de imunização prioritária, prevista para acabar em março, deve se prolongar até abril. Segundo dados da DGS (Direção-Geral da Saúde), quase 400 mil portugueses já receberam ao menos uma dose da vacina. Desde o começo da pandemia, Portugal acumula 770.502 casos e 14.557 mortes por Covid-19.