‘Lockdown’ no Chile deve atingir 40% da população do país

EXTRA com agências internacionais
Homem tem temperatura medida antes de entrar no local de trabalho, em Santiago

O governo do Chile decretou ontem confinamento total na zona metropolitana da capital, Santiago — medida equivalente a um lockdown, já que os moradores só poderão sair para trabalhar em setores essenciais e comprar alimentos e remédios. Anunciada pelo ministro da Saúde, Jaime Manalich, a dura medida entra em vigor amanhã, a partir das 22h (hora local), e afetará cerca de 8 milhões de pessoas, 40% da população do país.

O anúncio representa uma revisão da estratégia do governo do conservador Sebastián Piñera de quarentenas seletivas e ocorreu no dia em que o Chile registrou 2.660 novos casos de Covid-19 — a maior quantidade diária até o momento e um aumento de 60% em comparação ao dia anterior.

— O mês de maio está se mostrando muito duro para nosso país — disse Manalich.

Permissão para sair de casa

Entrarão em confinamento as 32 comunas que formam Santiago e outras seis em áreas próximas. Também foram incluídas na quarentena total as cidades de Iquique e Alto Hospicio, no Norte. Várias comunas que já haviam saído do confinamento voltarão a sofrer a medida, que inicialmente terá validade de sete dias.

As regras da quarentena determinam que as pessoas só podem sair munidas de permissão. Além disso, será estabelecido um cordão sanitário para impedir a circulação, entre as comunas afetadas, de pessoas que não estejam envolvidas no abastecimento de comida ou em situações de trabalho.

O ministro também anunciou quarentena obrigatória em todo o Chile para pessoas acima de 75 anos — antes, apenas cidadãos com mais de 80 eram obrigados a ficar em casa. Manalich disse que as “extraordinárias e duras” medidas são necessárias para diminuir o índice de contágio. O Chile tem um total de 34.381 casos de Covid-19 e 347 mortes.

Após o anúncio das novas medidas, filas começaram a se formar em frente a supermercados e farmácias de Santiago. O presidente Piñera pediu colaboração da população em uma publicação no Twitter: “Trabalhamos para proteger a saúde e a vida de nossos compatriotas. [...] Precisamos da sua colaboração”.

Presidente havia feito chamado para retomada das atividades

O Chile sofre sua pior fase da pandemias três semanas após o presidente Piñera ter feito um chamado público para a retomada gradual das atividades econômicas, levando ao relaxamento das medidas de auto-isolamento no país, o que foi criticado por especialistas. O episódio é tratado como um dos motivos para o aumento no número de casos. Preocupado com a queda na economia — que o governo estima em 2,5%, e o Fundo Monetário Internacional (FMI), em 4,5% em 2020 — o presidente vinha resistindo aos apelos dos governadores e prefeitos para decretar a quarentena total.

Desde o início da crise, a OMS e as autoridades locais indicaram que o pico projetado de infecções em Santiago seria entre a última semana de abril e a primeira de maio. Porém, devido ao baixo número de contágios no início, o governo começou a comemorar ter atingido um “nível máximo”, com uma média de 400 a 500 infectados por dia, com base em uma estratégia de “quarentena seletiva” e a aplicação de um grande número de testes.