Lojas de bolos e doces no Rio crescem na pandemia

Gustavo Cunha
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Aos mais de cem anos, uma senhora confeitaria se rendeu aos aplicativos digitais. Fundada em 1894, a Colombo, no Centro, se desdobra para não estacionar no tempo. Com uma nova filial à vista na Galeria 330, em Ipanema (as obras ainda serão iniciadas), a casa histórica ampliou o cardápio e finalmente lançou mão do delivery por app. Tudo para driblar os poréns causados pela atual crise sanitária. O resultado é satisfatório. Por mês, entre 850 e 900 pastéis de Belém chegam às mãos dos clientes. Velho carro-chefe da cozinha, as tortas doces (com fatias a R$ 14,90) preservam os antigos números elevados: em média, 300 delas são vendidas mensalmente — a de nozes e a red velvet estão entre as mais pedidas.

— Colocamos o delivery em prática, com urgência, para manter a marca acesa. Foi preciso pensar em reinvenções — conta o chef Vitor Leocádio, responsável pela parte de doces e pães.

Palavra muito repetida de março pra cá, as tais “reinvenções” têm açucarado a gastronomia da cidade. Confeiteiros ressaltam que, mais do que nunca, é preciso elaborar criações e recriações a todo instante. Na Colombo, a torta de abacaxi com coco, normalmente feita apenas em dezembro, rapidamente pulou para o menu fixo diante da alta procura.

Em atividade no Leblon desde 1942, a Kurt também fisga o paladar dos fregueses com invencionices. As novidades por lá são a torta chococaramelo, com mousse de chocolate e caramelo flor de sal (vendida apenas inteira, por R$ 165), e a éclair de pistache (R$ 17), ambas igualmente em delivery, algo cada vez mais incrementado.

Na simpaticíssima Bel Trufas, com mesinhas em área externa no Leblon, o hit da vez são os mini-montes, cereais de milho com chocolate (ao leite, amargo ou branco), com porções de 100g vendidas em saquinhos (a R$ 17,90).

— Eu mesma estou viciada. É daquelas coisas que não dá para parar de comer — brinca a chef Bel Carvalho, há nove anos no mesmo endereço. — Na pandemia, tenho usado a criatividade ao máximo. A verdade é que minha alma é gordinha, e isso também facilita (risos).

Nos últimos meses, a irreverente cheesecake da casa (com pistache, brigadeiro de cream cheese e geleia de framboesa, a R$ 17) tem dividido as atenções com o consagrado bolo-mole (R$ 17,80, com chocolate e doses fartas de calda), e a procuradíssima pavlova (com merengue, doce de leite e lascas de morango, a R$ 16,50).

Casas inflam de tamanho

Apesar dos pesares destes tempos azedos, o momento é de doçura nas cozinhas. Confeitarias e lojas especializadas em bolos crescem no país, especialmente no Rio. O milagre da fermentação tem ingredientes parecidos com a nova — e perene — mania por pães artesanais.

A título de exemplo, a rede Vó Alzira, uma das pioneiras em fabricação de bolos não industrializados em larga escala, inaugurou 26 novas lojas desde março. Há poucos meses, um aplicativo também foi lançado pela marca.

O impulso é compartilhado por empreendimentos menores. Há dois anos no mercado, a Sin Pâtisserie, que funciona apenas com entregas via delivery ou por meio de retirada, vê um aumento progressivo nos pedidos. Tocada pelas irmãs Jade e Julia Chaloub dentro de um apartamento na Lagoa, a marca inventou receitas e criou combos especiais para presentes de aniversário, uma demanda frequente hoje em dia.

— Como as pessoas não podem estar juntas, muitas passaram a fazer agrados. E isso nos deu um salto — conta Jade.

Não à toa, o cardápio extenso ganhou novas páginas. Além de belezuras como o hambúrguer de cookie (R$ 48) e a torta gold (com brigadeiro de Ninho, biscoitos Oreo e Nutella, a partir de R$ 99), vale ficar de olho na nova torta brownie de maracujá (a partir de R$ 130).

Inaugurado em julho, no Centro, o Dark Coffee é daqueles lugares altamente “instagramáveis” (leia-se: com bons cenários para cliques em redes sociais). A casa que também serve almoços — e tem ambiente com wi-fi liberado, além de tomadas para todos os lados — oferece cafés arábicos e produz receitas de doces americanos. Destaque para o rainbow cake (R$ 16, a fatia), um bolo nas cores do arco-íris, e a ópera de café (R$ 13), torta com amêndoas, creme amanteigado de café e ganache.

Novidades das mais frescas na cidade, a Dianna Bakery atrai corações e estômagos por sua seleção de bolos artesanais. Inaugurada em novembro, a charmosa loja na Tijuca, com cozinha comandada pela chef Dianna Macedo, tem vitrine de doces que chama a atenção. Não deixe de provar a torta de nozes (R$ 14, a fatia), iguaria concorrida. O folheado de chocolate branco com cranberry (R$ 8) e a chessecake de goiabada (R$ 14, a fatia) também são unanimidades por ali.

Serviço:

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