Lojas de conveniência e de material de construção poderão reabrir no Rio a partir de sexta-feira

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Em Botafogo, na Zona Sul do Rio, uma oficina descumpre decreto do governo do estado, ao contrário da marmoraria vizinha.

A partir desta sexta-feira, o prefeito Marcelo Crivella permitirá a reabertura de lojas de material de construção e de conveniência em postos de combustíveis na cidade do Rio de Janeiro. Esses estabelecimentos estavam entre os que foram fechados para reduzir a ciculação de pessoas no combate à proliferação do coronavírus. A decisão teria sido tomada por pressão de vereadores da base de seu governo. A medida vai de encontro às restrições impostas no estado pelo governador Wilson Witzel (PSC), que cogitou baixar um decreto para desautorizar o prefeito, mas depois recuou da ideia, como informou o colunista Ancelmo Gois, de O Globo.

A decisão de Crivella foi anunciada em entrevista pela internet, um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro pedir a reabertura de comércio e escolas e o fim do “confinamento em massa” em cadeia nacional. Durante a entrevista, o prefeito comentou as declarações de Bolsonaro — de quem busca aproximação de olho num apoio à sua reeleição.

Para Crivella, o presidente quis passar mensagem de otimismo e fé de que a situação vai melhorar em breve:

— O presidente quis dizer que é preciso enxergar uma luz no fim do túnel, que o sacrifício de hoje vai trazer frutos. Mas nós também não vamos perder o ano. Foi uma mensagem de fé e otimismo.

O conflito de orientações e de normas entre os governos federal, estadual e municipal — como no caso da discordância entre Bolsonaro, Witzel e Crivella — sobre o que abre e fecha durante a quarentena já foi alvo de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte tem inúmeras decisões a favor de que o horário de funcionamento do comércio local — bancos, inclusive— seja fixado pelos municípios.

A Constituição Federal norteia as decisões no STF e seria a base para decidir um questionamento sobre essa questão. Mas a Carta não é clara sobre os papéis da União, dos estados e dos municípios, ainda mais numa situação emergencial como a pandemia.

Apesar da sinalização de que pretende relaxar algumas medidas da quarentena na cidade, Crivella garantiu que o isolamento social é a posição de consenso definida em uma reunião com o gabinete de crise e a comunidade científica, ontem de manhã, no Riocentro. Por outro lado, o prefeito também fez gestos a Bolsonaro e ressaltou que as ações tomadas não podem perdurar por muito tempo devido às consequências econômicas e sociais que podem gerar para a cidade e o país.

Na última segunda-feira, os vereadores William Coelho (MDB) e Rafael Aloísio Freitas (MDB) tentaram aprovar emendas a um projeto de lei do Legislativo que regulamenta as atividades comerciais que poderiam funcionar na cidade durante a quarentena, mas não houve quórum. No Rio, o comércio segue fechado, com exceção de farmácias, supermercados, hortifrutis, padarias, pet shops, postos de gasolina, lojas de equipamentos médicos e ortopédicos e bancos.

— Nós só paramos o comércio porque há uma grande circulação de pessoas. O setor de serviços e da indústria permanece ativo. A cidade tem muitas obras, inclusive nossas (justificando a abertura das lojas de materiais de construção). Já nos postos, não serão permitidas aglomerações — ressaltou o prefeito do Rio.

Cariocas seguem orientação de permanecerm isolados em casa

Um dia depois do pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, que defendeu o fim do confinamento em massa, o baixo movimento nas ruas do Rio, ao longo de toda a quarta-feira, era um indício de que a população ainda está preferindo seguir a orientação das autoridades de saúde para ficar em casa. O EXTRA percorreu as ruas do Centro e das zonas Norte e Sul da cidade e constatou um pequeno número de pessoas em circulação.

Na Central do Brasil, que recebe diariamente milhares de pessoas de diversos bairros do Rio e de municípios da Região Metropolitana, o movimento era muito baixo. No entorno da Rua Uruguaiana, um dos centros comerciais mais agitados do Centro, nenhuma loja estava aberta. O cenário era o mesmo nas avenidas Rio Branco e Presidente Vargas.

Na Saara, todas as lojas estavam fechadas e poucas pessoas caminhavam nas ruas. O mesmo podia ser visto em Madureira, o principal polo comercial da Zona Norte. Estabelecimentos que não se enquadram nos serviços essenciais também não estavam funcionando.

Moradora de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a fiscal de loja Andrezza da Silva Kremmer, de 25 anos, disse que o pronunciamento do presidente foi “desrespeitoso” com a população e parentes das vítimas da doença.

— É preciso seguir as recomendações das autoridades médicas e ficar em casa. É um desrespeito o chefe da nação desmerecer essa doença. Já são milhares de pessoas mortas pelo mundo afora e ele trata como uma ‘‘gripezinha?’’ — indagou.

O taxista Leordi Nascimento Ferreira, de 59, trabalha há 20 anos no Leblon e criticou o que chamou de “falta de sintonia’’ entre Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta:

— As autoridades estão fazendo o certo de manter tudo fechado. Os números do mundo mostram que não é uma ‘‘gripezinha’’. Foi irresponsável da parte dele