Londres admite controle aduaneiro com a Irlanda do Norte após o Brexit

Michael Gove durante sessão na Câmara dos Comuns, em Londres, em 19 de maio de 2020

O governo britânico reconheceu nesta quarta-feira (20) que será necessário realizar controles aduaneiros sobre certas mercadorias que circulam entre a ilha da Grã-Bretanha e a província britânica da Irlanda do Norte no final do período de transição pós-Brexit.

"Não haverá nova infraestrutura alfandegária física e não vemos necessidade de construir nenhuma", disse o governo de Boris Johnson ao publicar sua posição sobre o protocolo entre a Irlanda do Norte e a vizinha República da Irlanda, negociado como parte do acordo de divórcio com a União Europeia.

"No entanto, expandiremos alguns pontos de entrada existentes para produtos agro-alimentares, a fim de estabelecer controles adicionais", acrescentou.

O protocolo irlandês visa impedir o retorno de uma fronteira física na ilha da Irlanda, após a saída britânica da UE, o que pode ameaçar a frágil paz alcançada após três décadas de conflito sangrento graças ao acordo da Sexta-feira Santa em 1998.

O ministro Michael Gove garantiu aos deputados nesta quarta-feira que qualquer controle será "absolutamente mínimo". "Tudo será feito eletronicamente", acrescentou.

Em novembro, Johnson havia dito que no acordo de Brexit negociado com Bruxelas não haveria controle de mercadorias entre a Grã-Bretanha e a província britânica.

Gove também disse que a Irlanda do Norte permanecerá alinhada com um conjunto de normas da UE, inclusive em termos de saúde, até pelo menos 2024.

O Reino Unido e a UE estão negociando suas futuras relações comerciais, mas as discussões estão bloqueadas em alguns pontos-chave.

Na terça-feira, Londres pediu à UE que reveja suas propostas se quiser chegar a um acordo antes do final do período de transição em 31 de dezembro, que o Reino Unido se recusa a expandir.