Londres e Bruxelas darão impulso a negociação de acordo para o Brexit

Por Anna CUENCA
(Setembro) Barclay (e) e Barnier participam de reunião na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas

Londres e Bruxelas concordaram nesta quarta-feira em dar um último impulso à negociação de um acordo "muito difícil, mas possível", antes do Brexit, planejado para 31 de outubro.

Apesar desse consenso, a reunião entre o ministro britânico do Brexit, Steve Barclay, e o negociador europeu Michel Barnier, que aconteceria na quinta-feira, foi adiada para sexta, segundo uma fonte europeia.

A reunião consistirá em um café da manhã, afirmou a fonte próxima à negociação, sem especificar o motivo do adiamento da reunião.

“Analisarão o estado das negociações após uma semana de reuniões técnicas”, anunciou um porta-voz do primeiro-ministro Boris Johnson.

Barnier chegou a declarar nesta quarta que a UE e o Reino Unido ainda não estão perto de um acordo.

Após dois adiamentos da data de partida, devido à rejeição do parlamento britânico ao acordo de divórcio assinado com a UE pela ex-primeira-ministra Theresa May, o Reino Unido deve deixar o bloco em 31 de outubro.

Johnson apresentou uma contraproposta de acordo na semana passada, que busca modificar o ponto mais conflitante do tratado de maio, pedindo à EU que faça concessões. E garantiu que, se as negociações não prosperarem, o país deixará a União Europeia brutalmente no final do mês.

Os líderes europeus, que apontaram dois pontos “problemáticos” em sua proposta, solicitaram modificações no texto e colocaram até o final desta semana para determinar se há uma base para chegar a um acordo na cúpula dos dias 17 e 18.

No entanto, fontes anônimas em Downing Street afirmaram, na terça-feira, que as negociações estavam prestes a fracassar por causa da UE, que indignou o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, o qual acusou Johnson de um “jogo estúpido de censura”.

- Sessão no sábado -

Johnson, por outro lado, se encontrará nesta quinta-feira com seu colega irlandês, Leo Varadkar, para discutir o Brexit.

"Será uma reunião privada para os líderes e suas equipes terem discussões detalhadas", disse uma porta-voz de Downing Street.

A República da Irlanda será a principal afetada na UE por um Brexit sem acordo, o que teria consequências potencialmente devastadoras para setores-chave de sua economia, além de riscos ao acordo de paz de 1998 encerrou 30 anos de sangrentos conflitos na ilha.

O ponto mais conflitante do acordo negociado por May, e que Johnson tenta modificar, diz respeito a como manter aberta a fronteira entre a Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte.

Dublin anunciou na terça-feira, no âmbito do seu orçamento para 2020, um fundo de 1,2 bilhões de euros (1,3 bilhões de dólares) para amortecer o impacto econômico de um Brexit sem acordo, que foi interpretado com pessimismo sobre o êxito das negociações.

Há especulações há semanas que o controverso primeiro-ministro está buscando uma brecha legal para tornar o Brexit difícil dentro de três semanas, o que levou ativistas pró-europeus a ir ao tribunal para tentar força-lo a cumprir a legislação.

No entanto, juízes na Escócia emitiram duas decisões nesta semana, segundo as quais as garantias de Johnson de que cumprirá a lei são suficientes.

Independentemente de haver um acordo, o governo britânico planeja convocar o Parlamento excepcionalmente no dia 19.

Será o primeiro sábado a se reunir em 37 anos e o quinto desde 1939.

A última sessão parlamentar em fim de semana ocorreu em 3 de abril de 1982, após a invasão argentina nas ilhas Malvinas.