Londres convoca embaixador chinês por destituição de deputados em Hong Kong

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Visão geral da câmara do Conselho Legislativo de Hong Kong
Visão geral da câmara do Conselho Legislativo de Hong Kong

O governo de Boris Johnson convocou, nesta quinta-feira (12), o embaixador da China em Londres, acusando Pequim de violar, com a destituição de quatro deputados pró-democracia de Hong Kong, as obrigações internacionais adquiridas com a devolução da ex-colônia britânica.

O embaixador chinês, Liu Xiaoming, foi convocado ao ministério das Relações Exteriores para ouvir "a profunda preocupação de Londres por essas últimas ações", afirmou o porta-voz do primeiro-ministro conservador.

"O Reino Unido continuará denunciando essas violações dos direitos e liberdades de Hong Kong e lembrando a China de suas obrigações livremente contraídas em virtude do direito internacional", acrescentou.

Quatro parlamentares pró-democracia de Hong Kong foram destituídos de seus mandatos na manhã de quarta-feira, depois que autoridades locais foram autorizadas por um dos principais comitês legislativos da China a demitir qualquer legislador considerado uma ameaça à segurança nacional sem sequer passar por um tribunal.

O ministro britânico das Relações Exteriores, Dominic Raab, reiterou nesta quinta-feira que a destituição dos quatro parlamentares é "uma violação flagrante" do acordo Londres-Pequim de 1984, no qual se baseou a devolução à soberania chinesa em 1997 de um território que deveria conservar um alto grau de autonomia.

"A China mais uma vez traiu suas promessas e minou o alto grau de autonomia de Hong Kong", disse o ministro em um comunicado.

Na quarta-feira, Raab afirmou que a China tentava "assediar, sufocar e desqualificar a oposição democrática", manchando assim sua reputação internacional.

"Esta decisão em Hong Kong é justificada e razoável", reagiu Liu Xiaoming, argumentando que "autoridades, incluindo deputados, não são em nenhum lugar do mundo autorizados a violar seu juramento e trair seu país" .

O governo britânico irritou Pequim ao facilitar o acesso à cidadania britânica para milhões de pessoas de Hong Kong com passaportes britânicos no exterior.

Londres também suspendeu seu tratado de extradição com Hong Kong e estendeu à ex-colônia o embargo de armas já aplicado à China desde 1989.

Paradoxalmente, o Reino Unido está sendo criticado nos últimos meses por sua intenção de não cumprir certas cláusulas do acordo do Brexit assinado com a União Europeia, mesmo que reconheça que se trata de uma violação do direito internacional.

O porta-voz de Johnson o justificou pelas "circunstâncias excepcionais" em que o Reino Unido se encontra, em pleno divórcio com a UE. "Como país, defendemos o direito internacional e o sistema internacional baseado em normas e sempre o faremos", afirmou.

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