Londres estuda estabelecer pontes aéreas para limitar a quarentena

Mulher de máscara observa produtos de limpeza à venda na zona oeste de Londres, em 1 de junho de 2020

O governo britânico está considerando a introdução de pontes aéreas com alguns países para evitar que os passageiros que entram no Reino Unido a partir destas nações tenham que passar por uma quarentena muito criticada pelos profissionais do turismo, informa a imprensa inglesa.

O Reino Unido, segundo país mais afetado pelo coronavírus, com mais de 39.000 mortes confirmadas, começou na segunda-feira a flexibilizar gradualmente o confinamento imposto em 23 de março após a queda na taxa de infecções.

Com o objetivo de evitar casos importados de COVID-19, a partir da próxima segunda-feira o país pretende impor uma quarentena de duas semanas a todas as pessoas que chegam do exterior, com exceção da Irlanda.

Os profissionais do transporte aéreo e do turismo criticaram a medida, que o governo pretende revisar a cada três semanas, alegando que a iniciativa terá consequências catastróficas no momento em que se aproxima a temporada de férias de verão (hemisfério norte).

De acordo com os jornais The Times, Daily Telegraph e The Guardian, o Executivo está considerando permitir o transporte aéreo no fim do mês.

Os países com os quais as pontes aéreas poderiam ser estabelecidas serão selecionados de acordo com sua importância econômica para o Reino Unido, o nível de risco transmissão do vírus, o número de passageiros afetados e as medidas vigentes em seus aeroportos, afirmaram os jornais.

De acordo com o conservador Daily Telegraph, o primeiro-ministro Boris Johnson defende favorecer o transporte aéreo após as muitas críticas procedentes de seu próprio partido e das advertências de mais de 200 diretores de empresas de aviação e turismo, como Ryanair e o International Airlines Group (IAG), proprietário da Iberia e da British Airways, entre outras companhias.

A proposta será apresentada nesta terça-feira aos deputados que retornam ao Parlamento após um recesso.

Determinado a acabar com o sistema híbrido pelo qual até agora alguns parlamentares estavam presentes na Câmara e outros acompanhavam os debates por videoconferência, o governo solicitou que todos retornem a Westminster.

A mudança foi criticada por muitos deputados, preocupados com a segurança dos parlamentares de saúde mais frágil que não poderão continuar votando à distância caso permaneçam em suas casas.

Os membros da Câmara dos Comuns, onde Johnson tem ampla maioria, votarão nesta terça-feira uma moção do governo que acaba com o voto à distância estabelecido excepcionalmente durante o confinamento.