Reino Unido quer prolongar operações de retirada no Afeganistão; talibãs são contrários

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Talibãs patrulham as ruas de Cabul, no Afeganistão, em 22 ago. 2021

O porta-voz dos talibãs destacou nesta segunda-feira (23) a ferrenha oposição do grupo a que Estados Unidos e seus aliados permaneçam no Afeganistão após a data limite de 31 de agosto, depois que o Reino Unido anunciou a intenção de fazer o pedido ao G7.

"Se Estados Unidos ou Reino Unido solicitarem mais tempo para continuar com as retiradas, a resposta é não. Ou haverá consequências", declarou Suhail Shaheen, depois que o presidente americano, Joe Biden, pressionado por seus aliados, abriu a possibilidade de manter as tropas no país para além de 31 de agosto.

Um pouco antes, o governo do primeiro-ministro Boris Johnson havia anunciado a intenção de defender, ante os Estados Unidos, que se prolongue as operações de retirada em Cabul, para além da data-limite, durante uma reunião de cúpula virtual do G7 que acontecerá na terça-feira (24).

O primeiro-ministro britânico "abordará no G7, obviamente, a possibilidade de que os Estados Unidos ampliem sua presença", disse o ministro da Defesa, Ben Wallace, à imprensa durante uma visita à Escócia.

No momento, a presidência rotativa do G7 está com o Reino Unido. O grupo também é formado por Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos.

Johnson anunciou, no domingo (22), que os líderes do G7 iriam se reunir virtualmente amanhã para "debates urgentes" sobre a situação afegã.

"Acho que todo mundo deve ter claro não é apenas uma discussão entre os líderes do G7 amanhã, é uma discussão com os talibãs", disse, no entanto, o secretário de Estado britânico das Forças Armadas, James Heappey, ao canal Sky News.

"Os talibãs terão que escolher: podem tentar se comprometer com a comunidade internacional e mostrar que querem fazer parte do sistema internacional", declarou, "ou podem dar a volta e dizer que não há oportunidade para uma prorrogação".

Desde que os talibãs assumiram o poder em meados de agosto, milhares de famílias se aglomeraram no Aeroporto Internacional de Cabul e seus arredores, na tentativa de deixar o país antes de 31 de agosto. Esta foi a data estabelecida pelo governo americano para a retirada definitiva de suas forças do Afeganistão.

Diante do caos das retiradas e sob pressão de seus aliados, o presidente Biden abriu a porta para manter os soldados no terreno após esse prazo.

Ontem à noite, o Exército britânico informou ter retirado 5.725 pessoas do Afeganistão desde 13 de agosto, incluindo 3.100 afegãos. Além disso, garantiu que a operação vai continuar "enquanto a situação de segurança permitir". Não foi anunciada uma data para o último voo.

Wallace deixou claro, no entanto, que a operação de retirada do Reino Unido chegará ao fim no momento em que as tropas dos Estados Unidos abandonarem o Afeganistão.

"Não acredito que exista qualquer possibilidade de permanecer depois (da saída) dos Estados Unidos. Caso o programa se prolongue, mesmo que por apenas um dia ou dois, isso nos dará um ou dois dias a mais para retirar as pessoas", afirmou.

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