Londres isolará em hotéis quem voltar de países de risco de covid-19

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Avião da companhia British Airways voa sobre o letreiro de um hotel em 26 de janeiro de 2021, no aeroporto de Heathrow, ao oeste de Londres

Os nacionais ou residentes do Reino Unido que chegarem de áreas consideradas de alto risco pelo coronavírus, como a América do Sul, serão isolados em hotéis que deverão pagar de seu próprio bolso para evitar a importação de novas cepas.

Após a descoberta de uma nova cepa originada na Amazônia brasileira, o governo de Boris Johnson proibiu há duas semanas as chegadas de todos os países da América do Sul, além de Panamá e Portugal.

A medida já havia sido aplicada à África do Sul, onde também foi encontrada uma mutação preocupante do vírus.

A proibição não se aplica, porém, a cidadãos britânicos, nem aos residentes no país, que podem voltar para suas casas após apresentarem um teste negativo para covid-19 e com o compromisso de se isolarem por dez dias após sua chegada.

No país europeu mais castigado pela pandemia, o Executivo não quer, contudo, correr riscos.

"Exigiremos a todos os que chegarem e não poderão ter a entrada negada pra se isolar em acomodações estipuladas pelo governo, como hotéis, durante 10 dias sem exceção", anunciou Johnson nesta quarta-feira (27) ao Parlamento. "Serão recebidos no aeroporto e levados diretamente à quarentena", acrescentou sem especificar a data a partir da qual a medida entrará em vigor.

Negociações estão em curso com redes de hotéis, cujos detalhes serão concluídos na próxima semana, indicou a ministra do Interior, Priti Patel.

Segundo estimativas da imprensa britânica, as despesas podem chegar entre 1.00 e 1.500 libras (1.350 - 2.050 dólares) por pessoa e devem ficar a cargo dos viajantes.

O primeiro-ministro também destacou que "é ilegal" no contexto do terceiro confinamento aplicado atualmente no país "viajar para o exterior sem uma razão válida", como obrigações de trabalho.

“Ainda há muita gente entrando e saindo do nosso país todos os dias”, lamentou Patel, referindo-se às pessoas que andam de esquis na Estação Internacional de Londres.

Para garantir o respeito à norma, explicou ele, os viajantes serão questionados nos portos e aeroportos sobre o motivo de seu deslocamento. Se não for um motivo adequado, voltarão para casa.

- Reabertura das escolas -

Em relação às escolas, fechadas desde as férias de fim de ano, a reabertura "não será possível" em meados de fevereiro conforme previsto inicialmente, alertou.

Desde a descoberta em dezembro da nova cepa do coronavírus muito mais contagiosa e possivelmente mais motal na Inglaterra, o Reino Unido não levanta a cabeça.

O país tem agora todas as suas esperanças voltadas para uma campanha de vacinação em massa: até esta quarta-feira, 7,1 milhões de pessoas receberam a primeira dose e quase 500.00 a segunda.

O objetivo do governo é chegar a 15 milhões - todos os maiores de 70 anos, profissionais da saúde e pessoas com problema de saúde - em meados de fevereiro.

Johnson explicou que, se conseguir cumprir o objetivo, essas pessoas desenvolverão anticorpos três semanas depois. Portanto, em 8 de março seria possível reabrir as escolas e depois levantar gradualmente o confinamento.

Mas alertou: tudo isso dependerá da manutenção do ritmo de vacinação, da redução da pressão nos hospitais e da diminuição do número de mortes diárias.

As 1.725 mortes registradas na quarta-feira levam o saldo total para 101.887 óbitos.

Muito criticado desde o início da crise sanitária por suas políticas erráticas, Johnson, que ficou internado na UTI por covid-19 em abril passado - quando reconhecer temer por sua vida - garante que fez "todo possível" e pediu desculpas na terça-feira pelo terrível número de mortos.

Apesar de o país estar há semanas em seu terceiro confinamento, o professor Calum Semple, membro do grupo científico que assessora o Executivo, disse à BBC que pode haver cerca de 50 mil mortes a mais.

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