Lorene Figueiredo promete regular mineração em MG e critica Kalil e Zema

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RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - Pré-candidata do PSOL ao Governo de Minas Gerais, Lorene Figueiredo prometeu regular o setor de mineração no estado e fez críticas ao atual governador Romeu Zema (Novo), que buscará a reeleição, e ao ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD), que também está na corrida pelo Executivo estadual.

A postulante do PSOL disse que os partidos de Zema e Kalil, Novo e PSD, estão juntos com o PL, sigla de Bolsonaro e do senador Carlos Viana (PL), fazem parte de uma "política de destruição".

"Queremos ocupar a política e democratizá-la da forma mais radical possível, justamente para apresentar uma alternativa. Já temos três candidatos que vão expressar essa linha da extrema-direita, da negação de direitos, da naturalização de uma política de destruição, as candidaturas de PSD, do PL e do Novo", afirmou.

As falas foram proferidas na manhã desta segunda-feira (9) durante sabatina de jornalistas da Folha de S.Paulo e do UOL com a pré-candidata do PSOL, abrindo a semana de entrevistas com os nomes que disputarão o Governo de Minas Gerais em 2022.

"Somos a candidatura que não deve nada às mineradoras. Não demos isenção fiscal para eles nem recebemos financiamento desses empresários para nossas campanhas."

Ao falar sobre o assunto, Lorene relembrou as tragédias de Mariana, em 2015, e de Brumadinho, em 2019, envolvendo deslizamentos de barragens.

"Vamos regular fortemente o setor da mineração, rever as isenções e usar esses recursos para fazer uma recomposição da economia de Minas Gerais, principalmente superar a desgraceira que eles produziram aqui ao longo dos anos."

Questionada sobre o projeto minerário que pretende extrair 31 milhões de toneladas de minério de ferro ao longo de 13 anos em uma área de 102 hectares na Serra do Curral, Lorene Figueiredo disse que é contra a proposta. A licença ambiental já foi aprovada pelo governo estadual.

"Estamos em desacordo. A Serra do Curral cumpre um papel importante do ponto de vista climático, ambiental, de várias espécies que são próprias daquele bioma e também entendemos que vai impactar fortemente a barragem que está às portas de Nova Lima", disse Figueiredo.

"Ao mesmo tempo, a gente sabe que a serra cumpre um papel importante na preservação do abastecimento de água de Belo Horizonte. E ainda tem a população quilombola que vive na região e sequer foi citada no relatório e que não pode sequer se manifestar, o que é um desrespeito a essas comunidades mais originárias, mais primitivas, no sentido de que são primevas."

Lorene Figueiredo também criticou Romeu Zema por ter recusado o convite para participar da sabatina do UOL e da Folha de S.Paulo com os pré-candidatos em Minas.

Indagada pelos entrevistadores sobre o atual governo, a pré-candidata do PSOL disse ainda não ver algo positivo na gestão de Romeu Zema.

"Não vejo [algo positivo]. Acho que existe um engodo muito bem construído. Zema é o governador que no pior período da pandemia não só não aplicou os recursos devidos, como cortou investimentos na saúde e na educação."

"Agora ele fala pouco, aparece pouco e quando aparece faz o discurso do empresário que sabe ser gestor, com essa naturalização dos baixos investimentos, do empobrecimento geral por conta da crise, isso meio que vai deixando as pessoas sem expectativas. E uma bem-sucedida disputa ideológica no sentido de colocar que tudo que é privado é melhor."

Apesar de o PSOL apoiar Lula no plano nacional, há divergências em estados como Minas Gerais, onde os dois partidos deverão estar em palanques diferentes na disputa estadual. Na sabatina, a pré-candidata do PSOL associou o PSD, partido de Kalil, às pautas de Bolsonaro no Congresso Nacional. O PT cogita apoiar o ex-prefeito na eleição de Minas.

"Acho que a lógica do apoio de Lula a Kalil e do PT ao PSD está dentro da lógica da frente ampla, quem quiser vem comigo, acho que isso tem um preço. Lá atrás o pessoal foi apertar a mão de Paulo Maluf, do PP. O PP é o berço de Bolsonaro", disse.

"O Kalil está surfando numa onda de um tecido bobo, de não ter negado a ciência, de ter usado a vacina, de usar o aporte da pandemia para fazer o básico. Agora, o PSD votou com Bolsonaro em 90% das pautas", avaliou a pré-candidata do PSOL.

Na entrevista, Lorene também fez críticas à federação do PSOL com a Rede Sustentabilidade. A junção foi aprovada pelos diretórios nacionais dos dois partidos. No entanto, a pré-candidata ao Governo de Minas disse ser contra a união. No estado, integrantes da Rede tendem a apoiar outras candidaturas.

"Eu e meus companheiros do diretório votamos contra essa federação, sabíamos que ia dar problemas. Por exemplo, defendemos o socialismo e a Rede defende que é possível apostar numa economia verde que explora o meio ambiente dentro de uma lógica de mercado. Explicar os motivos que fizeram uma parcela da nossa coordenação nacional ter resolvido casar com a Rede eu não sei", disse.

Professora de formação, Lorene Figueiredo teceu críticas à privatização de gestão de escolas e disse que a ideia desse tipo de discussão é "tergiversar daquilo que é essencial na discussão". Ela prometeu melhorar a estrutura das escolas e aperfeiçoar a formação dos trabalhadores da educação.

"[Queremos] uma discussão pedagógica que seja, de fato, emancipadora, queremos formar de forma humanista, plena, os estudantes, nossos jovens, e isso implica numa formação clássica, científica e cultural e não da forma como está colocada".

Na política fiscal, Lorene Figueiredo quer fazer, se eleita, uma auditoria nas contas públicas, apontar os responsáveis pelo rombo nas finanças do Estado e disse que é necessário rever o teto de gastos em Minas. "Não temos crise econômica e crise fiscal, temos um problema de política fiscal que precisa ser revista".

Sobre as estradas, a pré-candidata reafirmou ser contra a cobrança de pedágios e defendeu a elaboração de um plano de obras públicas para recuperação das rodovias. Defendeu ainda a implantação da tarifa zero no transporte público.

Lorene também se disse contrária à concessão de parques públicos à iniciativa privada e à privatização de presídios e favorável ao uso de câmeras em uniformes de policiais.

No cenário nacional, Lorene Figueiredo defendeu o voto no ex-presidente Lula (PT), seguindo o apoio do PSOL ao petista, mas fez ressalvas ao ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB), que será vice na chapa, e classificou o ex-tucano como representante do capital financeiro.

"Apesar de Alckmin, entendemos que temos uma tarefa mais urgente, que é derrotar Bolsonaro e vamos juntos sem nenhuma preocupação, sem nenhum medo de ser feliz na hora da eleição. No dia seguinte, vamos começar a separar o joio do trigo, mantendo apoio para manter os direitos de quem trabalha com o suor do rosto de fazer a crítica onde ela for devida".

PRÓXIMAS SABATINAS CONFIRMADAS EM MG

11.mai, 10h

Miguel Corrêa (PDT)

12.mai, 10h

Alexandre Kalil (PSD)

12.mai, 16h

Marcus Pestana (PSDB)

13.mai, 10h

Carlos Viana (PL)

Romeu Zema (Novo) não aceitou o convite

SABATINAS CONFIRMADAS NO RJ

16.mai

10h - Felipe Santa Cruz (PSD) - 16/5 - 10h

18.mai

10h - Rodrigo Neves (PDT)

16h - Anthony Garotinho (União Brasil)

20.mai

10h - Marcelo Freixo (PSB)

Cláudio Castro (PL) ainda não respondeu ao convite

DEMAIS SABATINAS

Semana de 23/5 - BA

Semana de 30/5 - PR

Semana de 6/6 - RS

Semana de 13/6 - PE

Semana de 20/6 - CE

DEBATES COM CANDIDATOS AO GOVERNO DE SP

1º turno - 19/9, às 10h

2º turno - 20/10, às 10h

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