Luísa se declara a Pedro em 'Nos tempos do Imperador', e Mariana Ximenes lembra o que leu sobre a história real: 'Amor avassalador'

No capítulo desta quinta-feira, 26 de agosto, de "Nos tempos do Imperador", Luísa (Mariana Ximenes) decide não fugir mais de seus sentimentos e confessa sua paixão por Pedro (Selton Mello). Nos tempos colegiais, Mariana foi apresentada à figura histórica da Marquesa de Santos, amante de Dom Pedro I. Mas o que quase ninguém sabia antes da novela das seis e é que Dom Pedro II se apaixonou pela Condessa de Barral, mesmo casado com a Imperatriz Teresa Cristina (Letícia Sabatella). A relação entre os dois só se tornou pública no século 20, quando cartas dele para a amada foram descobertas.

— Meu pai encontrou um livro no sebo das cartas de Dom Pedro II para ela. Eles combinaram de queimá-las, ele fez isso, mas ela não. Pude ver um pouco como o Imperador escrevia para ela e como era esse sentimento. Eles viveram um amor avassalador. Era uma questão forte para a Condessa, que é muito ética e tem respeito por Teresa, pela família e pelo império. É muito delicado e a personagem vai viver esse conflito diário, não vai ter jeito. Pedro também sofre porque o pai teve muitas amantes e ele recriminava isso — analisa Mariana, que afirma que é complexo julgar uma situação dessas: — Na época, tinha uma permissividade errada, ao meu ver, uma condescendência maior. Mas era amor, então, como julgar? Ao mesmo tempo, Luísa está errada. Sofro por ela, mas é a amante. É tanta subjetividade... Cada situação tem que ser analisada isoladamente e todo caso tem sua particularidade.

A atriz conta que não sabia da existência da destemida Condessa até receber o convite para o papel.

— Só conheci Luísa quando li o livro da Mary del Priore sobre ela. A história é contada de uma ótica só e num ponto de vista apenas, mas temos outras pessoas que precisam ser enaltecidas. O núcleo da Pequena África, por exemplo, tem personagens muito fortes e importantes. No colégio, aprendemos muito pouco sobre esse tema. A abolição não foi só feita pela princesa Isabel. Tiveram vários outros heróis que ajudaram a chegar a esse ponto. Ela assinou a Lei Áurea, mas tem muita gente por trás que fomentou esse movimento — afirma.

Assim como Luísa, a Condessa de Barral, a estonteante atriz, de 40 anos, é uma mulher moderna, empoderada, que domina diversos assuntos e sabe muito bem aonde quer chegar. Boa de papo, a intérprete da baiana não mede palavras para defender o que acredita.

— Como eu, Luísa quer uma sociedade mais igualitária com direitos para todos, sem qualquer tipo de preconceito, racismo, machismo. Já naquela época, ela lutava por respeito e liberdade e sou uma pessoa com esse propósito também. É louco pensar que a Condessa tinha esses pensamentos na época dos 1800 e até hoje, em 2021, temos que falar sobre isso. Mas vamos continuar falando enquanto precisar — explica Mariana que, para interpretar a abolicionista e também para seu próprio aprendizado, tem buscado se inteirar em assuntos do movimento negro: — Há alguns anos eu penso nisso e já aprendi muito com mulheres maravilhosas como Fernanda Felisberto, Djamila Ribeiro, Conceição Evaristo... É um assunto que me permeia faz tempo e estou sempre antenada.

Com quatro milhões de seguidores no Instagram, a atriz acredita que tem uma responsabilidade pelo que posta nas redes sociais e conta que já foi atacada após se posicionar sobre certos assuntos (“Mas segue o jogo”). A favor da liberdade de expressão e do respeito acima de tudo, ela compreende os colegas que não se manifestam, mas não tem medo de dar sua opinião.

— Sou cidadã, filha de um advogado que o tempo inteiro me ensinou sobre ética, respeito, liberdade. Como artistas, temos voz. Fico emocionada em saber que tenho quatro milhões de seguidores no Instagram, são quatro milhões de pessoas que estão vendo o que estou escrevendo. Tenho uma responsabilidade sobre isso! Tenho uma inquietude dentro de mim e só consigo me enxergar no mundo dessa maneira, lutando pelas coisas em que acredito. Não me enxergo sem poder me expressar e tentar mostrar um novo olhar para os outros. Eles podem discordar de mim, mas me escutam, assim como também vou escutar. Agora, se tem uma coisa que é inquestionável é a democracia. Ela é um direito conquistado pelo povo — diz.

Desde 2019 se preparando para a novela, a paulistana voltou a gravá-la este ano. Bem humorada, ela brinca que pegou dois verões com roupa de época e que está “namorando” Luísa.

— Estou “tão” namorando a Condessa e vivendo esta história e todo o processo de gravação... Está puxado! (risos). Estou muito reclusa por conta da novela — diz a intérprete de Luísa, que se vacinou contra o coronavírus há menos de um mês: — Eu não peguei Covid-19. Consegui até agora e até bato na madeira (risos). Mas continuo quietinha. Ao me proteger também protejo uma equipe inteira. Temos que nos cuidar e manter a engrenagem.

O tempo que passa no set de gravação, porém, traz um retorno além do profissional. Animada, Mariana nomeia uma série de amigos que fez, com um elogio na ponta da língua para cada nome.

— Viramos uma grande família mesmo. Ganhei muitos amigos novos como Gabriela Medvedovski, que faz a Pilar, Giulia, que faz a princesa Isabel. Minha personagem é abolicionista, e Cinnara Leal me ajuda muito a me conscientizar, abrir o radar e o olhar para essas questões. Além de uma aliada na trama, ganhei uma na vida. Essas são as atrizes que eu não conhecia. Dani Ornellas, a mãe Cândida, reencontrei 20 anos depois porque fizemos “A padroeira” (2001). Estou numa trajetória muito emocionada — declara a artista, que, antes da novela, criou um perfil de poesia e dramaturgia no Instagram, chamado Cara Palavra, com as amigas Débora Falabella, Andreia Horta e Bianca Comparato: — Começamos a conversar direto no nosso grupo de WhatsApp sobre o que nos permeava. Fomos traduzindo as leituras e escutas em pílulas na internet. Cada uma grava de sua casa. Essa pandemia reforçou meus laços de amizade. Ah... Gostamos de carinho, né? Jorge Amado tem essa frase: amizade é o sal da vida. Para mim, meus amigos são tudo!

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