Luau no Arpoador reúne 2 mil pessoas na madrugada de domingo e gera reclamações de moradores

Leonardo Ribeiro
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As mil e quinhentas pessoas confirmadas no evento no Facebook do “Luau bateu a onda” já eram um termômetro de que as areias do Arpoador ficariam lotadas na madrugada de domingo, dia 15. Dito, feito e até superado. Moradores da Zona Sul registraram a aglomeração e estimam que no pico da festa, às 4h, cerca de duas mil pessoas curtiam a noite no local.

— Apesar da Prefeitura ter liberado praias, por exemplo, ainda estamos em meio a uma pandemia do coronavírus. Os moradores ficaram revoltados com a falta de consciência dessas pessoas aglomeradas na areia, diante de tudo o que estamos vivendo. Isso nos faz prever até mesmo o caos que será no réveillon e no carnaval. Não adianta nada existir toda uma legislação norteando ocupação dos espaços públicos se a população não colabora — diz Denise Correa, presidente da Associação viva Selva de Pedra.

O “Luau bateu a onda” ocorre desde 2016 e estava paralisado desde fevereiro deste ano, quando teve, então, a última festa. A noite de sábado para domingo marcou a 20ª edição ("hora de matar as saudades, reunir os amigos e curtir a noite na praia", diz a descrição) e tinha como tema “festa do sinal”. Nela, os frequentadores deveriam se vestir (ou usar pulseiras distribuídas) de acordo com cores que representam seu status civil. Vermelho, para os comprometidos, amarelo, para os “enrolados”, e verde, para os solteiros. Diferentes grupos levaram suas caixinhas de som. Mas as máscaras de proteção eram raridade.

— Eu fiquei com um pouco de receio pela aglomeração, mas fiquei com meus amigos, estávamos mais afastados, e fiquei tranquilo — diz um frequentador, que não quis se identificar.

Teve quem apareceu na praia desavisado do evento e acabou ficando, mas garante ter se protegido.

— Eu fui com mais cinco amigos para a praia porque era aniversário de um deles. Não sabia que teria essa festa. Nós usamos máscaras. Mas as outras pessoas? Pareciam nem saber o que é isso (risos). Eu fui ciente dos riscos da doença, foi a primeira vez que saí desde o início da pandemia. No começo, tinha mais medo. Agora, estou “mais de boa” — explica outro adolescente, que ficou das 23h de sábado até às 8h, de domingo.

Diferentes associações de moradores da Zona Sul, que foram informados do evento dias antes, avisaram a Prefeitura para proibir a festa.

— Sempre que vemos esses eventos, que já sabemos que vão gerar tumulto, conversamos entre associações. Sabíamos que a Prefeitura não tinha autorizado essa aglomeração. E até entramos em contato com a Polícia Militar e a Guarda Municipal para tomarem providências — diz Denise.

Procurados pelo O GLOBO, a Polícia Militar e a Prefeitura também não confirmou ainda se o evento tinha autorização ou não para acontecer. Os organizadores do “Luau bateu a onda” não responderam o contato da reportagem. No Facebook, agradeceram a presença do público.

“Gostaríamos de agradecer a presença de todos e pedir desculpas se algo não foi do seu agrado. Infelizmente tivemos alguns imprevistos, mas estamos sempre buscando melhorar. Até a próxima”, escreveram na página oficial do Facebook.