Lucas Leto fez terapia para entender romance de irmãos em "Pantanal": "Não tem um porquê"

Foto: João Miguel Júnior/Globo e Reprodução/TV Globo
Foto: João Miguel Júnior/Globo e Reprodução/TV Globo

"Pantanal" tem personagens muito complexos. Marcelo, interpretado por Lucas Leto, é um deles. Filho de Zuleica (Aline Borges), a amante de Tenório (Murilo Benício), o rapaz é apaixonado pela irmã Guta (Julia Dalavaia), que nasceu da relação do grileiro com a famosa Maria Bruaca (Isabel Teixeira). Para continuar na fazenda do pai, onde consegue colocar em prática o que aprendeu no curso de zootecnia, Marcelo precisa controlar seus sentimentos. Em entrevista ao Yahoo, o ator conta que foi um desafio construir o personagem. Afinal, o que leva um homem a se apaixonar pela própria irmã?

"Batalhei muito para poder entender a psique desse personagem. Conversei muito na terapia para entender a psicologia disso. Cheguei na conclusão da não explicação, da não justificativa. No amor, a gente consegue escolher quem a gente ama e com quem vai construir uma relação. Já a paixão é avassaladora, vem e não se explica. É um sentimento que te deixa cego", diz ele.

Mesmo sem nunca ter vivido algo parecido, Lucas afirma que relações como a de Guta e Marcelo simplesmente acontecem. Para dar vida ao rapaz, ele escolheu não julgá-lo. "Não tem um porquê. O próprio Marcelo, coitado, deve se questionar. O lado consciente dele é o grande sonho, que é trabalhar com zootecnia. Mas sobre essa parte (da vida amorosa), acho que ele tem muitas dúvidas", explica.

Marcelo (Lucas Leto) e Guta (Julia Dalavia) em
Marcelo (Lucas Leto) e Guta (Julia Dalavia) em "Pantanal" (Foto: João Miguel Júnior/Globo)

Além da paixão pela irmã, o personagem de Lucas traz outros dois temas importantes para a trama: o debate racial e a preservação do meio ambiente. Marcelo e seus irmãos verbalizam em vários momentos o quanto tudo é mais difícil para eles por serem negros e filhos da segunda mulher de Tenório. O ator acredita que a história ganha ainda mais força por representar o verdadeiro Brasil.

"Acho muito importante a gente ter a representação de uma família parecida com o Brasil dentro de uma novela tão incrível. É um grande passo a gente começar a reformular coisas que podem ser reformuladas de maneira natural. A própria existência dessa família, falando ou não sobre a pauta racial, já traz uma força de representação", reforça o ator, chamando atenção para a diversidade na telinha. "A indústria do audiovisual tá crescendo muito e hoje a gente pode escolher o que vai assistir. A gente abre o streaming e vai no programa que se reconhece, se identifica. Isso é muito bom", avalia.

Marcelo ao lado dos irmãos e da mãe em
Marcelo ao lado dos irmãos e da mãe em "Pantanal" (Globo/João Miguel Júnior)

Sobre interpretar um zootecnista, Lucas encara como uma grande responsabilidade, sobretudo em um momento que o planeta pede socorro. É a oportunidade de fazer informações importantes chegarem para a grande massa. "É muito valioso poder falar desses assuntos em uma novela que atinge tanta gente, vejo isso como um tesouro. As coisas acontecem ao nosso redor e não damos tanta atenção para isso, como as queimadas que acontecem no Mato Grosso do Sul, no Pantanal, um dos biomas mais importantes. A gente precisa preservar, mas o que vemos são mais de 10 milhões de animais mortos por causa de incêndios que muitas vezes nem são investigados", observa.

"O poder de falar sobre isso para pessoas que nem sabem o que está acontecendo é muito potente. Quem é dessa região e tá lidando com isso vê que está sendo falado de alguma forma e se sente representado. Quem não sabe ou não se importa também recebe essa informação. Recebo muitas mensagens de estudantes de zootecnia. Sou curioso, quando fico na dúvida sobre o texto vou perguntar para amigos, leio coisas", revela.

Embora esteja em alta neste momento da trama, Lucas entrou na novela quando "Pantanal" já era um sucesso, com mais de um mês de exibição. Ele diz que a repercussão não foi o que assustou. O "frio na barriga" começou ainda nos testes.

"Já fiz com aquele pensamento que seria uma grande responsabilidade, um trabalho muito grandioso, que representa muita coisa para o Brasil. Representou em 1990 e vem novamente como um fenômeno. Antes mesmo de começar a gravar, eu já encarava o trabalho como um desafio. Fiquei muito feliz pela confiança no meu trabalho, mas muito atento e focado em me dedicar. Eu vim do teatro e fazer TV, para mim, não era possível. Então, fazer e me contradizer é muito bom. Estou aprendendo e me apaixonando pela arte de fazer televisão todos os dias", finaliza.

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