Luciano Hang, dono da Havan, financiou apoiador de Bolsonaro investigado por fake news

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O empresário Luciano Hang, dono da Havan, sobe ao palanque com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) após
O empresário Luciano Hang, dono da Havan, sobe ao palanque com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) após "motociata" em Florianópolis, em agosto de 2021
  • O empresário Luciano Hang financiou o blogueiro Allan dos Santos, investigado por fake news

  • O dono da Havan teve ajuda do filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP)

  • CPI da Covid teve acesso a uma troca de mensagens entre o parlamentar e o apoiador do governo

O empresário Luciano Hang, dono da rede de varejo Havan e notório apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), financiou o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, investigado por disseminar fake news, ameaçar autoridades e liderar atos antidemocráticos, revelam documentos obtidos pela CPI da Covid.

Segundo reportagem da TV Globo, Hang teve ajuda do filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). A CPI apurou que políticos, empresários e sites usaram a rede de disseminação de fake news, conhecida como "gabinete do ódio". Para a CPI, a estrutura começou antes da Covid, mas ganhou força na distribuição de informações falsas sobre a pandemia.

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Em conversas obtidas pela Polícia Federal, Allan pediu que Eduardo Bolsonaro intermediasse contato com o dono da Havan: "Preciso que você me coloque em contato com o Luciano Hang". O filho do presidente enviou o número do telefone e perguntou: "Quer que eu fale algo a ele para te introduzir?". Allan respondeu: "É melhor".

Uma hora e meia depois, Eduardo disse: "Mandei mensagem para o Hang; Assim que ele me responder te passo". Allan concordou. Mais tarde, Eduardo respondeu: "Ele disse que você pode entrar em contato com ele. Falei que você é o nosso cara da imprensa para um projeto que desenvolvemos aqui nesta semana de aulas com o Olavo", em referência a Olavo de Carvalho, considerado "guru" do bolsonarismo.

No dia seguinte, Allan disse a Eduardo: "Sobre o Hang, quando ele voltar da Europa, falarei com ele". Eduardo respondeu: "Beleza. Falei no macro com o Hang". Quatro meses depois, Allan dos Santos escreveu: "Luciano Hang tá dentro. Patrocínio para o programa".

A CPI também teve acesso a uma conversa entre o blogueiro Allan dos Santos e o empresário Luciano Hang. Depois de procurado por Allan, Luciano Hang respondeu: "Eduardo Bolsonaro me falou que conversou contigo".

Luciano Hang foi convocado pela CPI da Covid. O depoimento dele está previsto para a próxima quarta-feira (29). Para a CPI, Allan dos Santos é um dos principais disseminadores de fake news sobre a pandemia.

"O que nós concluímos e identificamos na Comissão Parlamentar de Inquérito é a existência de uma verdadeira organização criminosa de fake news que teve papel determinante no agravamento da pandemia. Veja, essa organização criminosa começa a se articular e se constituir a partir de 2019, e, na pandemia, para reforçar o discurso negacionista do presidente da República e do seu governo", disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI, à TV Globo.

Luciano Hang afirmou à TV Globo que as afirmações são uma "narrativa absurda", que não faz parte de gabinete nenhum e que é mentira que ele tenha patrocinado veículos de internet que disseminaram desinformação.

A CPI investiga também Bernardo Kuster, apontado como mais um disseminador de informações falsas. Os senadores recolheram mais de cem postagens dele com mentiras sobre a pandemia. Documentos obtidos pela comissão mostram que Bernardo articulou ataques a João Doria (PSDB), em 2 de abril de 2020, quando o governador de São Paulo anunciou novas medidas de combate ao coronavírus e trocou postagens com o ex-presidente Lula sobre deixar as diferenças de lado durante a pandemia.

No grupo "Direita Unida", Bernardo mandou uma mensagem: "Recebi ordens do GDO pra levantar forte a tag #doriapiorquelula. Bora lá no Twitter. Tá subindo a tag em quarto lugar". GDO é a sigla usada para o gabinete do ódio. A PF afirmou que os suspeitos de fazerem parte do gabinete passaram a usar a expressão para se referir ao grupo antes mesmo da pandemia.

Em outro documento em poder da CPI, o assessor especial da Presidência, Filipe Martins, também mencionou o gabinete do ódio. Ele se refere a um outro assessor, Tércio Arnaud, como membro original do gabinete.

"Tudo que aconteceu foi consequência da participação dessa figura macabra amoral que é esse gabinete do ódio, que não tem outro objetivo senão o objetivo de disseminar mentiras, de atacar alvos previamente selecionados e de participar dessa forma desinformando em todos os episódios marcantes na vida nacional", disse Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, à TV Globo.

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